Mogadíscio, 23 ago (EFE).- Os radicais islâmicos que lutam contra o Governo da Somália afirmaram hoje que não reconhecem a legitimidade do presidente somali, Sharif Sheikh Ahmed, e rejeitaram as ofertas de conversas de paz feitas neste sábado por causa do início do mês sagrado muçulmano do Ramadã.

Em uma entrevista coletiva em Warshadda Bastada, seu refúgio ao norte de Mogadíscio, Sheikh Hassan Dahir Aweys, líder do grupo Hizb al Islam e aliado da Al Shabab, milícia considerada pelos Estados Unidos como vinculada à Al Qaeda, disse hoje que "não aceitamos as sugestões de Ahmed".

"Não o reconhecemos como presidente e continuaremos na luta contra ele, seus seguidores e seus apoios estrangeiros da União Africana", destacou Aweys, ao admitir que pode haver conversas de paz com a retirada das forças de paz africanas.

"O presidente somali nos pediu para que paremos a guerra no Ramadã e nós achamos que o venceremos no Ramadã ", acrescentou Aweys, e assegurou que continuarão com os ataques contra a Missão da União Africana na Somália (AMISOM, em inglês), que chamou de "invasores".

Aweys e Ahmed foram aliados em 2006, quando ambos dirigiam as Cortes Islâmicas, que estabeleceram um rígido e brutal Governo muçulmano em Mogadíscio e que governou grande parte do país na segunda metade desse ano.

Ontem, o porta-voz do Hizb al Islam, Sheikh Moussa Abdi Arrale disse que a oferta de Ahmed era um pretexto para novos ataques contra os radicais islâmicos.

Por sua vez, a Al Shabab, que controla parte do sul e do centro da Somália, também manifestou nos últimos dias que aproveitará o Ramadã para intensificar a luta contra o Governo e as tropas da AMISOM, inclusive com atentados suicidas.

Durante a madrugada de hoje, pelo menos cinco pessoas morreram em consequência dos combates registrados em Mogadíscio, o que eleva a pelo menos 80 o número de mortos pela violência no país nos últimos quatro dias. EFE ia/bba

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