Radicais hindus se voltam contra estrela muçulmana do cinema indiano

Nina Tramullas. Nova Délhi, 13 fev (EFE).- Em meio a um impressionante esquema de segurança, que incluiu revistas na entrada e vigilância extrema nas salas, estreou nesta sexta-feira na Índia o filme My Name is Khan, a mais recente arma dos radicais hindus que têm como nova inimiga a principal estrela muçulmana de Bollywood.

EFE |

Protagonizado por Shah Rukh Khan, o filme foi boicotado pelo partido Shiv Sena em protesto a declarações do ator, que lamentou o fato de a Liga Indiana de Críquete (IFP) não contratar atletas paquistaneses - muçulmanos -, poucos dias antes do estreia do filme.

Durante toda a semana, os radicais hindus cometeram atos de vandalismo que obrigaram as forças policiais a deter mais de 1.800 simpatizantes do Shiv Sena só em Mumbai - meca do cinema indiano e cidade onde Shah Rukh Khan mora - e a adotar medidas de segurança extraordinárias para a projeção do filme nas grandes cidades.

O porta-voz da ala jovem do Shiv Sena, partido que governa em Mumbai, Abhijit Pansi, declarou à Agência Efe que o boicote persistirá até que o ator peça perdão e "aceite seu erro".

A legenda hindu, que boicota tudo que ultrapasse a estrita moralidade do hinduísmo ou saia de sua linha ideológica, já expressou às claras após o atentado terrorista de Mumbai de 2008 sua oposição à presença de paquistaneses em equipes indianas de críquete ou de atores do país vizinho em filmes de Bollywood.

"É irônico e triste (que) um filme feito para a paz mundial tenha trazido tanta angústia a minha própria casa, minha cidade, meu país.

Tudo o que peço é que ninguém fique ferido", escreveu Shah Rukh Khan em sua página no Twitter na quinta-feira.

O ator é co-proprietário da equipe de críquete Knight Riders, de Calcutá, que quer contratar jogadores paquistaneses.

Mais de dez manifestações hinduístas contra a fita tentaram tirar o brilho da estreia. Os escritórios da estrela de cinema no bairro de Bandra foram apedrejados, mas a polêmica não impediu que centenas de milhares de pessoas corressem para os cinemas indianos, segundo cálculos da agência de notícias "Ians".

Embora muitas salas tenham decidido não pendurar os cartazes do filme para evitar incidentes, os 70 cinemas que abriram suas portas em Délhi ficaram praticamente abarrotados. Os 63 de Mumbai que iriam exibir a fita cancelaram a primeira sessão, mas depois desafiaram o boicote.

Os espectadores tiveram que se aproximar das 'fortalezas' onde "My Name Is Khan" foi exibido, superando exaustivos controles policiais e conscientes de que estavam sendo vigiados por membros das forças de segurança, policiais à paisana, assim como por câmeras de visão noturna instaladas nas salas.

"My Name is Khan" é dirigido por um amigo do ator, Karan Johar, e conta a história de um muçulmano autista cuja relação com uma hindu fica truncada após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

Apesar da advertência exibida antes do início do filme de que a história não é baseada em fatos reais, a primeira cena recupera o controvertido episódio protagonizado por Shah Rukh Khan no ano passado em um aeroporto internacional, quando ficou retido por algumas horas porque seu nome levantou suspeitas entre agentes de segurança.

"Me chamo Khan e não sou terrorista", repete o protagonista ao longo de toda a fita, convencido de não ter que se desculpar por ser muçulmano.

O popular ator se esforçou durante os últimos dias em fazer uma chamada à calma, apesar de a polêmica ter um cenário político-religioso com o tempero das grandes paixões do Sul da Ásia: o críquete e Bollywood.

Na sexta-feira, Shah Rukh Khan fez seu último esforço no Twitter: "Nacionalidade: indiana. Nascido em: Délhi. Devo tudo a: Mumbai.

Amo: meu país, a Índia, minha família e a liberdade. Meu desejo: entreter todos". EFE nt/bba

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