Radicais enfrentam Polícia em protesto contra prisão de Karadzic

Belgrado, 29 jul (EFE).- Cerca de 200 jovens radicais entraram em confronto com a Polícia hoje durante o protesto pela prisão do suposto criminoso de guerra servo-bósnio Radovan Karadzic, no centro de Belgrado, onde estiveram presentes 16 mil pessoas, segundo a Polícia.

EFE |

De acordo com a emissora de televisão "B92", os jovens radicais, que participavam do protesto convocado pelo ultranacionalista Partido Radical Sérvio (SRS), jogaram pedras nos agentes, bloquearam a rua com barricadas e quebraram várias vitrines.

A Polícia usou gás lacrimogêneo e disparou balas de borracha contra o grupo os agitadores.

Segundo as primeiras informações, dois policiais ficaram feridos no confronto.

A participação de aproximadamente 16 mil pessoas, segundo a Polícia, é bem menor que o esperado pelo SRS, cuja previsão era de "dezenas de milhares" de presentes.

A última manifestação em massa dos setores nacionalistas reuniu centenas de milhares de pessoas em Belgrado contra a proclamação da independência do Kosovo. Naquela oportunidade, grupos violentos chegaram a atacar a embaixada dos Estados Unidos e de outros países ocidentais.

Os participantes da manifestação cantaram o nome de Karadzic, lançaram gritos como "traição" e ofensas contra o presidente da Sérvia, Boris Tadic, e saudaram o irmão do ex-líder servo-bósnio, Luka Karadzic, presente em um palco montado na Praça da República, onde acontece o protesto.

Já o secretário-geral do SRS, Aleksandar Vucic, declarou que continuará amando a Sérvia "até o último suspiro".

"Quero dizer que a Sérvia ainda não está morta, embora Boris Tadic a esteja matando", disse.

"Liberdade para a Sérvia" é o lema do protesto que, segundo o SRS, pretende mostrar "a resistência ao regime ditatorial de Boris Tadic".

Tadic é a figura política mais destacada da Sérvia, já que, além de chefe do Estado, é o líder do Partido Democrático (DS), principal formação da coalizão no Governo.

Os manifestantes protestaram também contra a cooperação da Sérvia com o TPII, que julga os crimes de guerra nos conflitos balcânicos da década passada e que é considerado por muitos como uma instituição política e não judicial "anti-Sérvia".

Os protestantes levaram bandeiras do SRS e da Sérvia e cartazes com fotos de Karadzic e do líder dos "radicais", Vojislav Seselj, que é julgado no TPII.

O também opositor e nacionalista Partido Democrático da Sérvia (DSS), do ex-primeiro-ministro Vojislav Kostunica, e seu aliado Nova Sérvia (NS), de Velimir Ilic, expressaram seu apoio ao protesto.

No palco montado na Praça da República estão, além dos dirigentes do SRS e membros destacados dos partidos favoráveis ao protesto, um advogado de Karadzic, um membro da futuro equipe de seus assessores jurídicos, o irmão e o sobrinho do ex-líder servo-bósnio.

A Polícia sérvia adotou grandes medidas de segurança e reforçou a presença de agentes nas ruas para evitar incidentes.

Segundo a emissora de rádio "B92", antes do início do protesto os agentes usaram cães para inspecionar a Praça da República e detectar a presença de explosivos.

A Polícia protege todas as instalações de importância da cidade e os lugares onde podem ocorrer tumultos.

Muitos agentes formam vários cordões em frente ao departamento especial de crimes de guerra do Tribunal de Belgrado, onde está preso Karadzic, e a segurança foi reforçada em várias sedes diplomáticas.

O SRS pediu aos manifestantes que o protesto seja "pacífico e digno" e afirmou que seu pessoal também vigia para que tudo aconteça em ordem.

Karadzic foi detido no último dia 21 nas proximidades de Belgrado, onde vivia sob falsa identidade. Espera-se agora sua extradição ao TPII, onde acontecerá o processo contra o antigo líder político servo-bósnio, acusado de genocídio e outros crimes contra a humanidade cometidos durante a guerra da Bósnia (1992-1995). EFE Sn/rb/plc

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