Radicais avançam na capital da Somália; população civil foge

Mogadíscio, 13 mai (EFE).- As milícias islâmicas radicais Al Shabab avançaram hoje rumo ao centro de Mogadíscio, após seis dias de combates na capital somali nos quais 120 pessoas morreram e cerca de 40 mil tiveram que fugir de seus lares.

EFE |

A luta continua em Mogadíscio entre os defensores do Governo do presidente somali, Sharif Sheikh Ahmed, e a Al Shabab, grupo que os Estados Unidos relaciona com a Al Qaeda, apesar dos pedidos de líderes religiosos locais, organizações internacionais e grupos humanitários para que os combates cessem.

Pelo menos três pessoas foram mortas hoje, segundo disseram à Agência Efe fontes de saúde locais, enquanto os combatentes do grupo radical avançam rumo ao centro da capital somali após ocupar três dos principais bairros de Mogadíscio.

Ali Moussa, motorista de uma ambulância, disse à Efe que seu serviço recolheu "três pessoas mortas hoje, todos civis inocentes, mas o número aumentará se esta guerra continuar".

Além disso, Moussa relatou que ele e seus companheiros levaram 15 civis feridos a diversos hospitais.

O diretor da ONG Centro para a Paz e os Direitos Humanos (CPHR, em inglês), Hassan Moalin Yousef, disse hoje à Efe que "a situação é de loucura e o número de pessoas que fugiram (da cidade) chega perto de 40 mil", o dobro das que o fizeram até ontem.

As áreas das quais mais pessoas fugiram são as que permaneceram mais estáveis durante os dois anos em que as tropas etíopes estiveram no país para apoiar o anterior Governo de transição, até este deixar o poder em janeiro passado.

Um jornalista de Mogadíscio, que pediu para não ser identificado, disse à Efe que decidiu sair com sua família da cidade "porque a Al Shabab cercou a área do mercado de Bakara", onde fica a rádio em que trabalha.

"Este é um momento de medo, sinto calafrios toda vez que recebo um telefonema. A Al Shabab é um terrível pesadelo, acho que vão matar mais jornalistas e não quero ser o próximo a ser assassinado", acrescentou, ao lembrar de dois radialistas que foram mortos a tiros neste ano na Somália.

Representantes de organizações internacionais, dos exilados somalis, da sociedade civil e dos clérigos muçulmanos locais já pediram inúmeras vezes para que as hostilidades sejam interrompidas, sem sucesso.

Sheikh Bashir Ahmed Salad, líder da Associação de Clérigos, disse à imprensa somali ter pedido "a ambas as partes para que suspendam as hostilidades e comecem a conversar. O Governo aceitou isso, mas a Al Shabab não".

"Agora, estamos recebendo ligações apavorantes dos rebeldes nas quais exigem que deixemos de pedir paz e nos ameaçam de morte, mas não vamos deixar de dizer a verdade ao povo", destacou Salad.

Por sua vez, as tropas da Missão da União Africana para a Somália (Amisom, em inglês), tentam manter aberta a comunicação entre o aeroporto e a cidade.

Dúzias de tanques e centenas de soldados da Amisom, composta por militares de Uganda e Burundi, ocuparam a estrada que liga o aeroporto de Mogadíscio ao sul da cidade, para evitar que a Al Shabab ocupe a área.

Em uma gravação distribuída para a imprensa local, o líder da Al Shabab, Sheik Mukhtar Abu Subeyr, afirmou que o Governo somali, apoiado pela comunidade internacional, "não é islâmico e não pode ser chamado de patriótico", motivo pelo qual descartou estabelecer conversas com ele.

Em sua mensagem, Abu Subeyr destaca que a luta em Mogadíscio é "entre o bem e o mal" e, por isso, pede à população, e especialmente aos jornalistas, para que apoiem a jihad (guerra santa) de seu grupo.

A situação atual em Mogadíscio e seus arredores, com milhares de deslocados e combates, é similar à de janeiro de 2007, quando as milícias da Al Shabab e de alguns outros grupos rebeldes enfrentaram as tropas etíopes presentes na capital somali. EFE ia/bba

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