Radiação supera limite permitido na usina de Fukushima

As autoridades japonesas classificaram a explosão no nível 4, em escala que varia de 0 a 7

EFE |

O nível de radiação desprendido pela usina nuclear de Fukushima (nordeste do Japão) superou neste domingo (hora local) o limite legal, segundo anunciou a empresa operadora Tokyo Electric Power (TEPCO). O ministro porta-voz do Japão, Yukio Edano, admitiu que aparentemente houve uma fuga radioativa no reator da unidade 1 de Fukushima, de cujas imediações foram evacuadas cerca de 100 mil pessoas.

Segundo balanço das autoridades japonesas, o número de mortos no terremoto de magnitude 9 - o número foi revisado neste domingo - ultrapassou a casa de 800 pessoas. Há mais de 1,6 mil desaparecidos. Segundo a imprensa local, no entanto, a tragédia pode ter deixado mais de 2 mil mortos no Japão.

Neste sábado aconteceu uma explosão nesta mesma planta, embora o Governo japonês insista em que não ocorreu em um reator. A TEPCO explicou que a quantidade de radiação emitida na unidade chegou a 882 microsievert por hora, acima do limite recomendado de 500.

Edano disse inclusive que em um momento foram alcançados 1.204 microsievert, unidade de medida de exposição a radiações ionizantes. O reator 3 da mesma central sofre problemas em seu sistema de refrigeração e os responsáveis continuam tentando esfriá-lo liberando vapor de forma controlada, enchendo de água do mar e ácido bórico o recipiente primário de contenção.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) comunicou no sábado que a explosão ocorreu fora desse "envoltório" de aço do reator, por isso que o núcleo dele não foi afetado. Quatro funcionários da TEPCO ficaram feridos na explosão, que derrubou o telhado e as paredes externas do reator, como pôde ser visto pela televisão japonesa.

As autoridades japonesas classificaram a explosão no nível 4 da Escala Internacional Nuclear e de Fatos Radiológicos (Ines), que varia entre 0 e 7. Isso significa, segundo a rede de televisão "NHK", que aconteceu dano no combustível e que houve liberação de quantidades significativas de material radioativo dentro da instalação.

Há quase 12 anos, a mesma classificação foi outorgada ao até agora pior acidente nuclear da história do Japão, ocorrido em 1999 em Tokaimura, quando uma explosão e posterior vazamento em um unidade de processamento de urânio matou dois operários e expôs mais de uma centena de habitantes a altos níveis de radiação. Edano acrescentou que, até o momento, 22 pessoas foram expostas a radiação em Fukushima, onde foram suspensas as operações da planta depois do terremoto de 8,9 graus de magnitude na escala Richter e posterior tsunami da sexta-feira.

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