Radiação no mar do Japão é o triplo da estimada pela Tepco

Pesquisadores japoneses divulgam novos dados após incluírem na medição o material radioativo transportado pelo ar

iG São Paulo |

O material radioativo despejado no mar por causa da crise nuclear de Fukushima é três vezes maior que a quantidade estimada pela operadora da usina, Tokyo Electric Power Co. (Tepco), disseram pesquisadores japoneses nesta sexta-feira.

AP
O primeiro-ministro do Japão, Yoshihiko Noda, visita a usina de Fukushima (08/09)

A maior empresa de energia do Japão estimou que cerca de 4.720 trilhões de bequeréis de césio-137 e iodo-131 foram liberados no oceano Pacífico entre 21 de março e 30 de abril, mas pesquisadores da Agência de Energia Atômica do Japão estimaram uma quantidade de 15 mil trilhões de bequeréis.

Regulamentações do governo proíbem o comércio de alimentos contendo mais de 500 bequeréis de material radioativo por quilo.

Takuya Kobayashi, pesquisador na agência, disse que a diferença nos dados provavelmente ocorreu porque sua equipe mediu o material radioativo transportado pelo ar que caiu no oceano, além do material na água contaminada que vazou da usina.

Ele acredita que a Tepco excluiu a radiação emitida originalmente pelo material transportado pelo ar.

O relatório não inclui dados para o césio-134 porque o grupo de pesquisa inicialmente não tinha os recursos para medir o isótopo. Isso significa que a quantidade estimada de material radioativo deve aumentar após novos cálculos.

O terremoto e o tsunami que atingiram o país em 11 de março desativaram os sistemas de resfriamento dos reatores na usina de Fukushima Daiichi, 240 quilômetros ao norte de Tóquio, provocando o derretimento das barras de combustível e o vazamento de radiação. Quantidades enormes de água contaminada foram acumuladas durante os esforços para resfriar os reatores, e grande parte vazou para o mar. Índices de radiação já foram detectadas em peixes, algas e outros frutos do mar.

A Tepco se aproximou nesta semana de seu objetivo de trazer os reatores ao estado de desligamento a frio até janeiro, e a temperatura na segunda das três unidades danificadas já foi reduzida para abaixo do ponto de ebulição.

Quase seis meses após o terremoto seguido de tsunami ter devastado a área nordeste do Japão, os esforços de reconstrução continuam . A tragédia deixou mais de 15,7 mil mortos e 4,5 mil desaparecidos.

Com Reuters

    Leia tudo sobre: JAPÃOTERREMOTOTSUNAMIFUKUSHIMAUSINA NUCLEAR

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG