A depender do Partido Trabalhista, a Grã-Bretanha jamais poderia eleger Barack Obama para primeiro-ministro do país, de acordo com uma entrevista em destaque no diário The Times deste sábado. A manchete do tradicional jornal reflete a opinião do líder da Comissão de Igualdade e Direitos Humanos do país, Trevor Phillips, que acusa os trabalhistas britânicos de racismo institucionalizado.

Phillips afirma, em entrevista ao Times que o povo britânico votaria em um líder negro, mas sustenta que o sistema político vigente impediria a ascensão de um representante de minorias étnicas no país.

"Se Barack Obama morasse aqui, me surpreenderia muito, se mesmo alguém tão brilhante quanto ele conseguisse romper a barreira institucional que impera no Partido Trabalhista", afirmou Phillips, segundo o diário.

Ele afirmou ainda existir uma "resistência institucional" à seleção de candidatos negros e de origem asiática (classificação que em geral costuma ser aplicada na Grã-Bretanha a imigrantes da Índia, Paquistão ou Bangladesh).

O próprio Phillips, ex-jornalista de origem negra, já foi eleito pelo Partido Trabalhista para a Assembléia de Londres.

"Partidos e sindicatos não têm problemas em aceitar a idéia geral de que é preciso avançar nas causas das minorias, mas na prática, eles gostariam que outros tomassem a iniciativa", afirmou Phillips, que na entrevista ao Times chegou a dizer que o Partido Conservador britânico teria feito "progresso mais rápido" neste sentido.

O Partido Trabalhista afirmou "se orgulhar do histórico de promover candidatos de minorias étnicas".

No entanto, o jornal britânico cita vários parlamentares trabalhistas pertencentes a minorias que dizem concordar com as opiniões de Phillips.

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