Nesta semana, foi detectada carne contaminada de fazenda onde animais eram alimentos com forragem com altos níveis de radiação

Gado que cresceu na Província de Fukushima é apresentado para leilão em Motomiya, Fukushima, Japão (12/07)
Reuters
Gado que cresceu na Província de Fukushima é apresentado para leilão em Motomiya, Fukushima, Japão (12/07)
As autoridades japonesas detectaram césio radioativo em ração usada para alimentar gado em uma fazenda de Asakawa, a 65 quilômetros da usina nuclear de Fukushima, informou nesta sexta-feira a cadeia NHK. 

Durante esta semana, foi detectada carne contaminada procedente de uma fazenda de Minamisoma, a 25 quilômetros da central, onde os animais eram alimentados com forragem que continha altos níveis desse isótopo radioativo.

A ração contaminada em Asakawa continha 97 mil becquerels de césio por quilo, 73 vezes acima do limite máximo estabelecido pelo governo, e procedia de sete fazendas de Shirakawa, 80 quilômetros ao sudoeste da usina, informou a emissora de televisão nacional.

A forragem permaneceu embalada no exterior por pelo menos até quatro dias depois de o terremoto e o tsunami de 11 de março terem provocado na central de Fukushima Daiichi o pior acidente nuclear em 25 anos.

A fazenda de Asakawa, que comprou a ração e alimentou seu rebanho com ela, distribuiu desde então 42 vacas a processadores nas cidades de Tóquio, Chiba, Sendai e Yokohama, embora o consumo de sua carne não tenha sido confirmado.

O governo japonês mandou a fazenda interromper a distribuição de gado e solicitou às autoridades dos quatro municípios que rastreiem a carne desses animais.

Controle de Fukushima

Na quarta-feira, o primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, disse que a primeira fase para controlar a usina nuclear de Fukushima, estabilizando a refrigeração dos reatores, será concluída até a terça-feira de 19 de julho, ressaltando, porém, que serão necessários de "10 a 20 anos" para desmantelar todo o sistema.

A Tokyo Electric Power (Tepco), operadora de Fukushima, comprometeu-se a controlar a crise nuclear até janeiro do próximo ano. Kan, no entanto, insistiu no "risco" da fissão atômica e assegurou que seu objetivo é "reduzir a dependência" do Japão da energia nuclear, que antes de 11 de março constituía cerca de 30% do total que o país gerava. Por causa da catástrofe, 35 dos 54 reatores nucleares do Japão estão paralisados.

"Tentaremos construir uma sociedade que não dependa da energia nuclear", disse Kan, admitindo, no entanto, que a indústria e a população necessitam do abastecimento elétrico suficiente e é "responsabilidade" do Executivo providenciá-lo. Kan afirmou que o governo elaborará um plano básico de energia.

*Com EFE

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.