Jerusalém, 11 mai (EFE).- O Museu do Holocausto de Jerusalém expressou desapontamento com o conteúdo do discurso do papa Bento XVI, ao homenagear hoje os seis milhões de judeus mortos na Solução Final do ditador Adolf Hitler.

"O discurso foi lindo, mas acho que perdeu uma grande oportunidade: não lembrou que os que cometeram este massacre foram os alemães", disse à imprensa o rabino Meir Lau, sobrevivente do genocídio e presidente do Conselho Diretor da instituição.

Ao fim da cerimônia, Lau, que acompanhou hoje o pontífice, disse que, "ao contrário de João Paulo II, Bento XVI não falou do assassinato, mas da morte de judeus, o que não é o mesmo".

Além disso, o rabino lamentou não ter ouvido um "arrependimento" da parte de Bento XVI, que "também não mencionou o número de seis milhões" de judeus mortos, apesar de ter feito isso em discurso prévio.

No entanto, Lau elogiou a taxativa condenação feita pelo papa do Holocausto e do antissemitismo.

No discurso, o pontífice pediu que "nunca mais um horror similar" ao Holocausto "possa desonrar a humanidade".

"Que os nomes destas vítimas jamais sejam esquecidos, que os sofrimentos jamais sejam negados, esquecidos ou diminuídos. Que todas as pessoas de boa vontade vigiem para erradicar do coração do homem qualquer coisa que leve a tragédias similares a esta", disse, após homenagear os mortos no Holocausto.

O museu foi a segunda parada de Bento XVI em Israel, país ao qual chegou hoje após uma visita à Jordânia, primeira escala da peregrinação pela Terra Santa, que começou na sexta-feira. EFE elb/db

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