Buenos Aires, 15 mar (EFE).- Doze anos após publicar A Alma Imoral, o rabino brasileiro Nilton Bonder chega à Argentina para apresentar a primeira edição do livro em espanhol.

A obra rompe com a visão tradicional da dualidade humana e reivindica a imoralidade da alma.

Com este "manifesto de desobediência espiritual", Bonder, que nasceu em Porto Alegre, pretende apresentar uma nova perspectiva à tradicional visão cristã do corpo e da alma, explicou hoje o escritor à Agência Efe.

Para o ativista e líder espiritual da Congregação Judaica do Brasil, o corpo é "o conservador, o que tem a ver com o convencional, com o que se quer preservar", enquanto a alma é a que transgride, "é a força que faz evoluir, mudar, transformar-se", e por isso é imoral.

No entanto, ele não quer que a imoralidade seja entendida como um valor absoluto, mas como uma força necessária para um avanço.

"Para uma pessoa conservadora, o imoral é aventurar-se. Para aquela que vive se aventurando, imoral é manter vínculos, começar a ter relações mais profundas e não somente superficiais", afirmou.

O êxito obtido pela obra supera o âmbito literário. A versão teatral já está em cartaz há seis anos e foi vista por mais de 100 mil espectadores, recebendo vários prêmios.

Atraída por este fenômeno, a atriz argentina Luisa Kuliok se aventurou a protagonizar uma adaptação. Sob a direção de Lia Jelín, a peça fornece uma nova interpretação da obra de Bonder.

O rabino reconhece que ficou encantado com o monólogo de Kuliok, que já viu duas vezes desde sua estreia em janeiro. Para, ele as obras de teatro são uma forma didática de apresentar um livro que ele sabe que não é fácil de ler.

"Embora as obras de teatro sejam intelectualmente um pouco mais limitadas porque tem de empregar uma linguagem mais simples e direta que o livro, que é mais árido e filosófico, o que fazem muito bem é aproximar as pessoas em uma linguagem muito popular, e nesse sentido enriquecem muito o texto", reconheceu.

Autor de 18 livros, Bonder trabalha atualmente em uma espécie de segunda parte de "A Alma Imoral".

O livro vai se chamar "Segundas Intenções" e analisa o problema da segunda intenção, visto pelo rabino como "uma armadilha que nos apanha". EFE ea/pb/mh

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.