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Washington Post qualifica de insensata a intervenção militar hondurenha

Washington, 30 jun (EFE).- A insensata intervenção militar na crise política de Honduras faz com que o Governo americano tenha que encarar a ameaça mais grave para a democracia na América Latina, afirma hoje um editorial do jornal The Washington Post.

EFE |

"A detenção e deportação do presidente hondurenho Manuel Zelaya por parte dos militares são erros e devem ser corrigidos", acrescenta o editorial, ao considerar que "por causa da condenação unificada dos Governos das Américas e a forte pressão dos Estados Unidos, a deposição de Zelaya talvez não durem muito".

O jornal lembra que Honduras depende da ajuda dos EUA, do comércio com este país e das remessas dos emigrantes hondurenhos nos Estados Unidos.

"Se a meta era, como proclamaram, a defesa da democracia, terão mais oportunidades de alcançá-la se permitirem o retorno do presidente e que ele reassuma, pelo menos por um tempo, seu cargo", afirmou o jornal, em referência aos políticos e militares que destituíram Zelaya.

O "Washington Post" considera também que "o Governo de Obama não deveria limitar-se a pedir que a insensata intervenção militar dê marcha a ré".

"A crise em Honduras oferece uma oportunidade para encarar a ameaça mais grave e substancial para a democracia na região, uma ameaça representada, em parte, pelo próprio Zelaya", continuou o editorial.

"Embora possa parecer parecido, este não foi um golpe ao estilo latino-americano dos anos 60, nos quais os militares autoritários derrubaram aos democratas populares", afirma o jornal, ao assinalar que "até o domingo, Zelaya era quem tentava solapar as instituições democráticas".

"Eleito em 2005, com uma plataforma de centro-direita, o presidente hondurenho tinha caído ultimamente sob o feitiço do presidente venezuelano, Hugo Chávez", continua o editorial.

O editorial acrescenta ainda que, "em uma tentativa de seguir o exemplo de Chávez, (Zelaya) tentou convocar uma assembleia para modificar a Constituição e eliminar os limites de mandato", para que uma reeleição pudesse ser possível.

O jornal lembrou ainda que o Congresso de Honduras se opôs à tentativa de plebiscito e que a Corte Suprema de Justiça de Honduras o qualificou como inconstitucional, mas "Zelaya persistiu e organizou uma consulta extra-oficial".

O "Washington Post" considera que o Governo dos EUA "não deveriam limitar-se a tentar que Zelaya retome seu cargo".

"Também deveria falar com mais clareza sobre os abusos que levaram sua destituição, abusos que ocorrem em outros países latino-americanos como a Nicarágua e os indivíduos que fomentam os ataques à democracia, como Chávez", assinalou o "Washington Post".

EFE jab/pd

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