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Twittergate envolve vice-ministro de Assuntos Exteriores indiano

Marta Berard. Nova Délhi, 24 set (EFE).- Um comentário irônico lançado por meio do serviço de microblogging Twitter custou ao vice-ministro de Assuntos Exteriores indiano, Shashi Tharoor, reprimendas de seu próprio partido e pedidos de renúncia da oposição, no que alguns veículos de imprensa do país já batizaram como Twittergate Tudo começou quando o Governo indiano, liderado pelo Partido do Congresso, pediu para que seu alto escalão controlasse suas despesas devido à crise econômica.

EFE |

Então, um jornalista perguntou a Tharoor pelo Twitter se a partir de agora o vice-ministro pensava em viajar ao estado de Kerala, de onde vem sua família, "na classe 'gado'", em alusão depreciativa à classe econômica.

"Claro, na classe 'gado' e em total solidariedade a nossas vacas sagradas!", foi a resposta do vice-chanceler.

As palavras de Tharoor provocaram uma onda de reações e inclusive pedidos de renúncia tanto entre as fileiras de seu próprio partido como na oposição, embora alguns detratores não tenham se decidido sobre se a polêmica ocorre por causa da referência às vacas sagradas, do termo "classe 'gado'" ou pelo meio usado para divulgá-lo.

A repercussão foi tamanha que obrigou o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, a sair em defesa de Tharoor e constatar que se tratava simplesmente de uma "piada", segundo as agências indianas.

Mas alguns membros de seu partido não acharam nenhuma graça, como o chefe do Governo regional do estado do Rajastão, Ashok Gehlot, o qual declarou que Tharoor deveria renunciar pouco depois de porta-vozes nacionais da legenda terem reprovado o comentário.

Um deles, Shakeel Ahmed, disse à Agência Efe que as declarações de Gehlot são fruto de "emoções naturais expressadas no calor do momento", mas confiou em que "depois das explicações de Tharoor, tudo deveria voltar para o seu lugar".

Ahmed lembrou que o vice-ministro já esclareceu que usou a palavra "gado" para se referir ao "overbooking" das companhias aéreas, mas reconheceu que pode ter "ferido os sentimentos das pessoas que viajam em classe econômica".

O político se reuniu nesta terça-feira com o primeiro-ministro Singh, a presidente do Partido do Congresso, Sonia Gandhi, e o ministro das Finanças e ex-chefe da diplomacia indiana, Pranab Mukherjee. Todos se mostraram compreensivos com Tharoor, mas lhe recomendaram cautela e discrição, segundo a imprensa indiana.

Por outro lado, o principal partido da oposição, o Bharatiya Janata Party (BJP), e a pequena legenda hinduísta Shiv Sena ("Exército de Shiva"), que governa na metrópole Mumbai, foram mais duros.

"Lembramos os dias anteriores à independência, nos quais dizíamos aos britânicos para que saíssem da Índia. Agora, dizemos a Tharoor: 'Renuncie e saia da Índia'", clamou o porta-voz da juventude do Shiv Sena, Abhijit Pansi.

Em declarações à Efe, Pansi considerou que as palavras de Tharoor são próprias de uma "classe de políticos elitistas".

O porta-voz pediu ao Partido do Congresso para que tome "medidas sérias" e acrescentou que assuntos deste tipo são negativos para o conjunto do país.

A polêmica foi batizada por alguns veículos de imprensa como "Twittergate" - em alusão ao caso Watergate, que provocou em 1974 a renúncia do então presidente dos Estados Unidos Richard Nixon - mas nem tudo foram críticas sobre a atitude de Tharoor.

"Sinto pelas idiotices que você teve que suportar com o 'Twittergate'. A falsa moral e os sermões são algo penoso", respondeu a Tharoor pelo Twitter o responsável da Delhi Fashion Week, Sumeet Nair.

Tharoor já tinha sido objeto de outra polêmica também relacionada com a política de austeridade de despesas do Executivo.

No início de setembro, Pranab Mukherjee pediu para que o ministro indiano de Relações Exteriores, S.M. Krishna, e o próprio Tharoor deixassem os hotéis cinco estrelas em Nova Délhi nos quais estavam hospedados, ao considerar que isto enviava uma mensagem contraditória ao povo em tempos de crise.

Mas desta vez o Twitter serviu para que Tharoor se defendesse, ao tachar a situação de "ridícula" e falar que ele próprio estava pagando pela hospedagem à espera do final das obras em sua residência oficial. EFE mb/bba

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