Troca de prisioneiros pode significar trégua entre Hezbollah e Israel , diz especialista - Mundo - iG" /

Troca de prisioneiros pode significar trégua entre Hezbollah e Israel , diz especialista

A troca de prisioneiros feita na manhã desta quarta-feira entre o grupo xiita libanês Hezbollah e o exército de Israel levantou uma série de questionamentos com relação a paz na região e dividiu opiniões.

Gregório Russo, repórter do Último Segundo |

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    Para o professor da Universidade de São Paulo (USP), Bernardo Kucinski, a troca pode representar uma humilhação para o já frágil governo de Israel, isso porque, em troca dos restos mortais de dois soldados israelenses, Ehud Goldwasser e Eldad Regev, foram libertados cinco integrantes do Hezbollah ainda ativos, entre eles Samir Katar, condenado a quatro prisões perpétuas por atos terroristas e por assassinar um soldado e sua mulher.

    AFP
    Prisioneiros do Hezbollah; Samir é o terceiro 
    A troca pode ter sido um tiro no pé do governo israelense, disse Kucinski. Israel só aceitou fazer a troca por conta da forte pressão dos familiares dos soldados, que queriam enterrá-los de forma digna, mas não pensou na família abalada por Samir e pelos outros integrantes do grupo. A opinião pública está revoltada com isso", complementou.

    O Hezbollah trata a troca como uma vitória sem precedentes e prepara uma série de comemorações para os militantes soltos, que serão recebidos como heróis no Líbano.

    Essas manifestações, segundo Kucinski, só servem para humilhar ainda mais o já frágil governo de Israel e dificultar um possível o processo de pacificação na região.

    Para mim, a paz na região nunca esteve tão perto e ao mesmo tempo tão longe, declarou.

    Paz no Oriente Médio

    Apesar de todas as complicações e da pseudo-derrota que o governo de Israel sofreu, Kucinski acredita que a paz na região pode acontecer.

    Essa troca desastrada mostra que Israel está disposto a abrir negociações de paz. Isso, aliado a forte pressão internacional e a ajuda de países como Egito e França, podem contribuir para um processo de pacificação, disse. Israel precisa de paz com o Hezbollah, até porque o grupo, até então desprezado, tornou-se forte, organizado e disposto a lutar, complementou. 

    EFE
    Restos foram entregues em caixões negros
    Se a paz realmente ocorrer Israel ficará em uma posição "confortável", isso porque estará em paz com três de suas quatro fronteiras.

    "A possibilidade de acordos de paz não está descartada, ela existe, basta saber tratá-la da forma certa, e se isso acontecer Israel, que sempre teve inimigos estará, pela primeira vez na história, em paz com seus países fronteiriços (Jordânia, Síria, Líbano e Egito) já que existe também negociações de paz com a Síria".

    Números discrepantes

    Anteriormente, já foram feitas outras trocas de prisioneiros israelenses e integrantes do Hezbollah e, em todas elas, percebe-se um número muito discrepante entre o número de libertados.

    Em 1983, 4.600 seqüestrados palestinos e libaneses foram trocados por seis soldados israelenses. Em 1991, o governo israelense trocou 51 libaneses pela prova de que um dos soldados mantido no Líbano estava morto, e em 1996, Israel libertou 65 prisioneiros libaneses pelos corpos de dois soldados capturados enquanto lutavam no Líbano.

    Mais tarde, em 2004, Israel e o grupo Hezbollah trocaram um civil e os corpos de três soldados israelenses por 436 árabes e os corpos de 59 guerrilheiros libaneses.

    Ao ser questionado pelo iG sobre os motivos de números tão diferentes o professor Kucinski respondeu: Não podemos afirmar com certeza. Não quero fazer juízo de valor, mas pode ser porque os israelenses dão mais valor à vida e fazem pressão pelos seus soldados, mesmo que estejam mortos. Isso, aliado a facilidade maior que Israel tem de capturar soldados, pode explicar o fenômeno, disse.

    (*Com informações da Reuters, AP e AFP

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