La Paz, 16 dez (EFE).- Centenas de agricultores do leste da Bolívia encaminharam hoje seus tratores em direção ao departamento (estado) de Santa Cruz em um protesto para exigir, junto ao Governo Evo Morales, políticas de apoio ao setor.

O presidente da Câmara Agropecuária do Oriente (CAO), Mauricio Roca, disse à rádio "Fides", de Santa Cruz, que com a manifestação, os empresários buscam convocar o apoio da população frente a suas reivindicações ao Executivo, a quem acusa de "boicotar" sua produção.

Os participantes do protesto impulsionado pelo setor empresarial de Santa Cruz, que é um duro opositor ao Governo Morales, percorrerão 50 quilômetros entre vários povoados e Santa Cruz, aonde prevêem chegar nas próximas horas de hoje.

O protesto concentra pequenos e grandes produtores que se mobilizam com tratores, caminhões e outras maquinarias de trabalho, que, segundo a imprensa local, formam uma fila de quase oito quilômetros.

Roca comentou que os empresários tiveram "um ano negro devido à despreocupação do Governo" e disse que a gestão praticamente fecha com um "estrangulamento do setor produtivo".

O Governo boliviano manteve este ano, durante vários meses, a proibição de exportar vários produtos, com o argumento de que antes os empresários deviam assegurar um preço justo para o mercado local.

"O panorama para 2009" é "sombrio, é um panorama de crise generalizada", afirmou Roca.

Os agropecuários pedem concretamente ao Governo políticas para solucionar a constante escassez de diesel e gasolina e mais apoio, por considerarem que o país está perto de uma crise alimentícia.

Outro dos empresários declarou à rádio "Pan-americana" que este ano os problemas para suas colheitas e sementeiras foram recorrentes pela ausência de combustíveis.

O ministro de Desenvolvimento Rural e Agropecuário, Carlos Romero, disse à imprensa que a mobilização tem uma motivação "política", ao assegurar que o Governo já conversou com os líderes empresariais para solucionar suas reivindicações e tomar medidas que assegurem a provisão de combustíveis.

Romero, segundo a estatal "Agência Boliviana de Informação" ("ABI"), ratificou que, após ter suspendido as restrições à venda de vários produtos, serão emitidas autorizações para a exportação de mais de um milhão de toneladas de mercadorias até julho de 2009. EFE lav/ab/rr

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