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Só sanções farão Irã negociar de boa-fé , diz Hillary no Brasil

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmou nesta terça-feira que a comunidade internacional, incluindo o Brasil, terá de decidir em breve se adota ou não sanções contra o Irã por seu programa nuclear. Para Hillary, só depois que houver a aprovação de novas sanções pelo Conselho de Segurança da ONU, no qual o Brasil ocupa um assento temporário desde o início do ano, é que o Irã se disporá a negociar de boa-fé.

iG São Paulo |

AFP
Hillary encontra Lula e Dilma, após coletiva em Brasília

Hillary encontra Lula e Dilma, após coletiva em Brasília

As afirmações foram feitas durante coletiva ao lado do chanceler brasileiro, Celso Amorim, em Brasília, após ser questionada sobre se os EUA se sentem frustrados com a defesa que o Brasil faz ao diálogo com o Irã para resolver o impasse.

Nesta quarta-feira, o presidente Lula afirmou que não seria prudente " colocar o Irã contra a parede ". "Quero para o Irã o mesmo que quero para o Brasil: utilizar o desenvolvimento da energia nuclear para fins pacíficos", afirmou o líder brasileiro.

Hillary afirmou que os EUA também favorecem as negociações, mas fez a ressalva de que até agora o país persa não deu nenhum sinal claro de que favorece o diálogo. "O Irã vem recorrendo ao Brasil, Turquia, China - e para cada um conta uma história diferente -, com o objetivo de evitar sanções, mas achamos que elas são a melhor medida para evitar consequências no Oriente Médio e no mercado de petróleo", disse.

O presidente brasileiro, que recebeu em novembro uma visita do líder iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, deve viajar ao Irã em 15 de maio. Por causa da aproximação entre os dois países, os EUA vêm pressionando o Brasil a adotar uma posição mais dura em relação a Teerã. 

Segundo Hillary, "o Irã precisa saber que há consequências às recorrentes violações às regulamentações da Agência Internacional de Energia Atômica e do Conselho de Segurança da ONU".

Os Estados Unidos, assim como Rússia, China, Inglaterra, França e Alemanha, querem aplicar sanções internacionais ao Irã por suspeitar que seu programa nuclear tem o objetivo de fabricar armas nucleares. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, nega as suspeitas.


Hillary e Amorim se encontraram nesta manhã em Brasília / AP

No mês passado, o país anunciou que iniciaria o  enriquecimento de urânio a 20% para uso medicinal. Para produzir armas nucleares, é necessário um enriquecimento a 90%.

Amorim defendeu a posição brasileira lembrando que os EUA, quando justificaram a invasão do Iraque, em 2003, disseram que o país tinha armas de destruição em massa. Como mais tarde foi provado que essa afirmação era falsa, Amorim disse que isso tem de ser usado como exemplo para que o mesmo erro não seja cometido em relação ao Irã.

Hillary e Amorim se reuniram na manhã desta quarta-feira durante a visita da americana a Brasília. Após o encontro, Hillary afirmou que os EUA esperam poder continuar o diálogo com o Brasil sobre o Irã.

Segundo Hillary, ela e Amorim conversaram sobre temas como Oriente Médio, Irã, clima, Haiti, Chile e outros temas de natureza global.

Encontro com Lula

Lula recebeu Hillary na tarde desta quarta-feira no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) - sede provisória da Presidência da República, em Brasília.

Na pauta esteve o programa nuclear no Irã. Além disso, os dois também discutiram o processo de compra de caças brasileiros para a Força Aérea Brasileira (FAB). A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata à Presidência da República, também participou do encontro.

Caças

Durante o encontro, a secretária americana também tentou reverter a "falta de confiança" que o Brasil tem em relação aos americanos e que deixou o país em posição desfavorável na disputa pela compra dos caças que equiparão a FAB pelos próximos 30 anos.

O governo brasileiro, porém, já manifestou por diversas vezes a sua preferência pela parceria estratégica com a França. E o ministro da Defesa Nelson Jobim fez, em várias entrevistas, críticas diretas à proposta americana, dizendo que os "precedentes" dos EUA de transferência de tecnologia "não são bons".

Na decisão do Planalto, que está sendo aguardada para o final deste mês, o F-18 Super Hornet americano está disputando com o Rafale francês e o Gripen sueco.


Hillary é recebida por Sarney e Temer no Senado / Ag. Senado

Visita ao Congresso

Na manhã desta quarta-feira, Hillary Clinton visitou o Congresso Nacional e afirmou a deputados e senadores brasileiros que espera que o Brasil colabore no esforço internacional para mudança de rumo do Irã .

Segundo relato do presidente da Comissão de Relações Exteriores, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), Hillary insistiu que Teerã descumpriu todas as resoluções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), e que diante disso o mundo deve se unir.

Hillary deixou implícito, de acordo com Azeredo, que essa união deve se dar em torno da proposta de novas sanções contra o Irã a serem dotadas pelo Conselho de Segurança da ONU. A secretária de Estado insistiu que o Brasil tem um importante papel nessa questão.

No primeiro compromisso o dia, Hillary se reuniu por 40 minutos com os presidentes da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e mais 15 parlamentares, entre deputados e senadores.

Giro pela América Latina

Depois de passar pelo Brasil nesta quarta-feira, Hillary irá à Costa Rica, onde se reunirá com o presidente Oscar Arias e com a presidente eleita Laura Chinchilla. Na Guatemala, a secretária de Estado dos EUA conversará com o presidente Álvaro Colom.


Hillary foi recebida pelo embaixador Thomas Shannon na noite de terça em Brasília

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