Rachel getting married mostra influência européia no cinema americano - Mundo - iG" /

Rachel getting married mostra influência européia no cinema americano

Veneza (Itália), 3 set (EFE).- O filme Rachel getting married, do diretor Jonathan Demme, exibido hoje na mostra competitiva do Festival Internacional de Cinema de Veneza e que tem Anne Hathaway como protagonista, mostrou que o cinema dos Estados Unidos sofre influência das produções da Europa.

EFE |

O filme mostra os preparativos e a celebração do casamento de Rachel - personagem de Rosemarie DeWitt -, cuja irmã Kym, interpretada por Hathaway, acaba de abandonar um centro de recuperação de drogados.

Segundo Anne Hathaway, este papel foi "o mais complexo" de sua vida. Apesar de reconhecer que os atores costumam fazer esta afirmação a cada vez que lançam um novo filme, ela assegura que "desta vez é sério".

A atriz nova-iorquina explicou que "admira" a personagem, "uma mulher lutando para ter um lugar em sua família", mas destacou que nunca "passou por suas dramáticas circunstâncias".

Todos os demônios familiares da relação entre as irmãs, entre os pais e entre pais e filhos, originados por uma tragédia, são trazidos à tona durante os preparativos e a celebração do casamento, em muitas oportunidades na presença dos convidados.

Um argumento que lembra o filme "Festa de Família", do cineasta dinamarquês Thomas Vinterberg, e o primeiro rodado dentro das normas do manifesto que deu origem ao Dogma 95 - movimento cinematográfico europeu que buscava dar o maior realismo possível à história - e cujo principal expoente é Lars von Trier.

Entretanto, não é apenas o argumento de "Rachel getting married" que lembra o Dogma 95, mas também sua montagem: "O filme estava escrito, mas não planejamos nenhum enquadramento antecipadamente", declarou Demme em entrevista coletiva após a exibição.

A isto se une o fato de que a música, como manda o Dogma 95, crie de forma natural a ação do filme. Isto é resolvido simplesmente com o fato de entre os convidados estar um grupo de jazz que ensaia - de forma real e ao vivo - para o casamento no qual todo o filme é ambientado.

Além disso, o diretor de "O silêncio dos inocentes" (1991) - pelo qual ganhou o Oscar de melhor direção -, reconheceu sua influência no filme.

"Decidimos adotar um enfoque de documentário", disse Demme antes de dar uma nova pista do Dogma 95 ao afirmar que mesmo os atores "iniciavam as cenas sabendo que a filmagem começaria conforme a atuação fosse se desenvolvendo, evitando duplicar as tomadas".

E, finalmente, o filme lembra o movimento porque até Demme admitiu - ainda que à boca pequena - que queria que o filme "fosse o mais Dogma possível".

Mesmo assim, não há motivo para se envergonhar, já que o filme foi elogiado pela crítica de Veneza e, além de mostrar que o cinema de Hollywood também pode aprender com o europeu, oferece suas próprias novidades.

Entre estas novidades está a leitura metafórica, como reconheceu hoje a roteirista Jenny Lumet, que explicou que o filme pode ser visto como a situação atual dos Estados Unidos, "lutando para se unir durante a campanha eleitoral, da mesma forma que a família do filme".

Outra questão é o casamento entre um negro e uma branca, sem qualquer referência às diferenças raciais, mas que descreve a situação real no país. Entretanto, este é um assunto com o qual Demme preferiu não polemizar: "O filme descreve o Estados Unidos dos meus amigos".

A Mostra também apresentou hoje o segundo filme de animação da competição, o japonês "The Sky Crawlers", que revelou a cada vez mais notável diversidade deste gênero. O diretor Mamoru Oshii aborda a ficção científica com um cenário filosófico e uma intrincada linha narrativa.

"The Sky Crawlers" é um misterioso esquadrão de aviação formado por jovens que jamais se transformam em adultos e cuja função permanece em uma ambigüidade que se desvenda conforme avançam as duas horas de exibição.

"A guerra é de adultos e a paz de crianças", explicou Oshii em entrevista coletiva.

Mas com personagens que aos poucos mergulham na tristeza existencial, Oshii parece querer iniciar uma inquietante reflexão sobre se a paz é uma anestesia do ser humano. EFE alg/ev/fal

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG