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Princípios democráticos de Salvador Allende são destaque em seu centenário

Santiago do Chile, 26 jun (EFE).- Os partidos chilenos destacaram hoje os princípios e valores democráticos do falecido presidente Salvador Allende ao comemorarem o centenário de seu nascimento, com atos políticos e culturais em Santiago e outras cidades do Chile.

EFE |

Princípios e valores que "agora estão gravados na democracia chilena", segundo afirmou o presidente do Partido Socialista (PS) do Chile, senador Camilo Escalona, durante um grande ato na Praça da Constituição, em frente ao Palácio de La Moneda.

Nesse local, um monumento em memória de Allende (1908-1973) é erguido. Allende foi um dos mais importantes políticos chilenos do século XX, e morreu em 11 de setembro de 1973 durante o sangrento golpe militar liderado por Augusto Pinochet para derrubar o Governo.

Um Governo que, como diversos oradores no Parlamento destacaram, buscou democratizar uma sociedade marcada até então pelas desigualdades, com o objetivo de construir, pela via pacífica, "um socialismo à la chilena, com sabor de empanadas e vinho tinto".

"Estamos aqui porque não queremos que nenhum presidente eleito democraticamente tenha que se submeter", disse Escalona.

O senador acabou vaiado em parte de seu discurso pelos espectadores, que em sua maioria se identificavam com diretrizes da chamada "Esquerda Extraparlamentária", grupo sem representação no Congresso.

"Hoje, nós, socialistas chilenos, lembramos com gratidão o primeiro dos socialistas", afirmou Escalona durante o ato que contou com a presença de alguns ministros, parlamentares e dirigentes dos partidos da coalizão que governa o Chile desde a retomada da democracia, em 1990.

As diferentes vertentes políticas foram notadas também nos discursos, principalmente quando o presidente do Partido Comunista, Guillermo Teillier, defendeu que Salvador Allende "não gostaria nada do Chile de hoje".

"Acho que se (Allende) estivesse vivo, estaria lutando por uma democracia como a que sempre propôs, sem essas desigualdades extremas", ressaltou Teillier.

Para ele, os chilenos vêem em Allende "um símbolo de seus desejos, de seus sonhos e lutas para conseguir melhores condições de vida e relações humanas".

Já a deputada socialista Maria Isabel Allende, filha mais nova do falecido presidente, manifestou "a emoção" da família pelo reconhecimento internacional que seu pai recebeu durante o centenário, se transformando "em uma referência universal".

A parlamentar ponderou que de alguma forma a democracia chilena "continuava em dívida com Salvador Allende", mas que, nos últimos tempos, "(a dívida) foi sendo saldada, pouco a pouco".

"Allende nos ensinou que os mandatos constitucionais são exercidos até o final, nos ensinou que a ética pode chegar até o sentido heróico que esse 11 de setembro teve, mas também nos ensinou que por maior que seja o desenvolvimento econômico, as liberdades não podem ser sacrificadas, e por isso este reconhecimento mundial", completou.

Maria Isabel concordou com Guillermo Teillier no fato de que, no Chile de hoje, seu pai "estaria imerso no desafio de como prosseguir lutando pela justiça social e fazer um país melhor para os que sempre foram esquecidos, discriminados, excluídos ou que tiveram piores condições de vida".

Por outro lado, para o ministro da Presidência, o também socialista José Antonio Viera Gallo, se Allende ainda vivesse, "apreciaria a mudança que o país teve de situações de extrema pobreza para uma maior folga (econômica), e de uma ditadura para uma situação de liberdade".

Camilo Escalona, em meio a vaias que acompanharam seu discurso, afirmou que se Allende estivesse vivo, "seria um militante do Partido Socialista e sua figura mais notável".

Para o ministro do Interior, o democrata-cristão Edmundo Pérez Yoma, que se opôs ao Governo liderado por Allende, a variedade de setores políticos durante o ato "mostra como a democracia é capaz de fazer com que as forças políticas percorram distâncias que ontem pareciam impossíveis de percorrer".

O ato na Praça da Constituição foi precedido pelo lançamento de um selo comemorativo do centenário de nascimento do ex-presidente, e, após os discursos, diversos artistas populares subiram ao palco.

Para esta mesma quinta-feira está prevista, no Centro Cultural do La Moneda, a inauguração da exposição "Homenagem e Memória: Centenário Salvador Allende", que reúne 140 obras de um total de 2.500 que pertencem à Fundação Salvador Allende.

As obras foram doadas por seus autores, entre eles Joan Miró, Antonio Tàpies, Oswaldo Guayasamín, Eduardo Chillida e Roberto Matta.

O ato inaugural será liderado pela presidente chilena, Michelle Bachelet. EFE ns/bm/fr

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