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Pragmáticos do Irã pediram suspensão nuclear, dizem diplomatas

Por Louis Charbonneau NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Os líderes iranianos receberam e rejeitaram em maio uma proposta de políticos pragmáticos do país para suspender a atividade de enriquecimento de urânio e evitar novas sanções da ONU, disseram diplomatas ocidentais.

Reuters |

O Irã rejeita repetidamente a pressão internacional para paralisar seu programa de enriquecimento nuclear, que o Ocidente suspeita estar voltado para o desenvolvimento de armas atômicas - acusação que Teerã rejeita, alegando que seu objetivo é apenas produzir eletricidade com fins civis. A ONU já impôs três pacotes de sanções ao país por causa dessas suspeitas.

Falando sob anonimato, vários diplomatas disseram que a proposta surgiu de "pragmáticos" dentro do Irã, que sugeriram uma suspensão temporária de "escopo e duração limitados", o que teria sido rejeitado pelo líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei.

Segundo os diplomatas, as propostas foram feitas antes da eleição presidencial de 12 de junho no Irã, mas depois da oferta feita em março pelo governo dos EUA para estabelecer um diálogo direto entre Washington e Teerã.

As fontes ouvidas pela Reuters não identificaram quem apresentou a ideia. Um diplomata afirmou que ela partiu de pessoas próximas ao ex-candidato a presidente Mohsen Rezai, secretário do órgão chamado Conselho da Expediência.

O presidente radical do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, reeleito em junho num pleito marcado por queixas de fraude da oposição, criticou em maio adversários seus que estariam desejando uma política de aproximação com o Ocidente.

O embaixador do Irã junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, órgão da ONU) em Viena, Ali Ashgar Soltanieh, disse não estar ciente de qualquer proposta para suspender o enriquecimento.

"Não ouvi tal coisa", disse ele à Reuters. "Até onde eu sei, a respeito desta questão ninguém está a favor da suspensão. Há uma voz sólida a respeito da questão nuclear."

Mas uma fonte diplomática ocidental afirmou que a proposta mostra que, dentro do labiríntico sistema político do Irã, há vozes "pragmáticas" que desejam o fim do isolamento do país e um meio de evitar novas sanções da ONU.

"O Irã não é homogêneo", disse esse diplomata. "Divisões se tornaram mais aparentes desde a eleição. Muitos iranianos não acreditam que o caminho que estão seguindo seja o correto."

Outro diplomata afirmou que a proposta de uma suspensão parece destinada a tirar vantagem do desejo do governo de Barack Obama para se aproximar do Irã, de modo a "obter uma vitória diplomática na forma de um acordo com o Ocidente."

O embaixador britânico John Sawers, prestes a assumir a direção do MI6 (agência de inteligência), disse que não comentaria a veracidade do suposto pedido, mas que havia claros sinais de divisão no Irã. Ele citou como exemplo que Khamanei está mais "intervencionista e se impondo mais" junto a Ahmadinejad do que em relação a presidentes anteriores.

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