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Post diz que Chávez só consegue reeleição indefinida com fraude

WASHINGTON - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, não poderá ganhar o plebiscito sobre a emenda constitucional para permitir a reeleição presidencial ilimitada sem recorrer à fraude ou o uso da força, assinalou hoje o jornal americano Washington Post.

EFE |

O jornal repercutiu assim, em editorial, a aprovação em primeira discussão pela Assembléia Nacional venezuelana de um projeto de emenda constitucional para permitir a reeleição presidencial ilimitada que Chávez tenta aprovar a fim de poder se candidatar pela terceira vez, em 2012, à Presidência da Venezuela.


Apoiadores de Chávez protestam em favor da emenda / AP

Chávez quebrou, assim, sua palavra de que respeitaria a derrota no referendo de dezembro do ano passado que, caso vencesse, lhe permitira justamente se candidatar novamente.

A segunda e última discussão do projeto será votada em 5 de janeiro, e depois será entregue pelo Legislativo ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que terá que organizar em 30 dias um plebiscito sobre a emenda constitucional.

"Tanto a história como as pesquisas demonstram que ele (Chávez) não pode ganhar este plebiscito sem o uso da força ou a fraude", advertiu o jornal hoje.

O "Post" argumenta que o "futuro do presidente venezuelano não é brilhante" levando em conta que, nas eleições regionais de novembro, a oposição recuperou o controle dos três Estados mais povoados e das duas maiores cidades.

Além disso, o preço do combustível derivado do petróleo pesado caiu abaixo de US$ 35 por barril, muito inferior ao fixado pelo governo nos orçamentos e do qual analistas independentes estimam que Chávez necessita para manter seu projetos cheios de despesas públicas.

O "Post" refere-se à compra de armas da Rússia, e aos subsídios a "clientes" como o ex-ditador cubano Fidel Castro e o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.

Além disso, ressalta o jornal, a Venezuela registra uma inflação superior a 30%, escassez na provisão de bens básicos e a segunda taxa de homicídios mais alta do mundo.

O Post também lembra que em um mês, Chávez perderá de vista seu "inimigo favorito", o presidente de EUA, George W. Bush, e que seu sucessor, o presidente eleito, Barack Obama, poderá ser mais popular que o atual líder americano.

Neste panorama, Chávez poderia ter moderado suas políticas e se aproximado da oposição, mas, ao contrário, apressou-se em "montar" outro plebiscito que eliminaria o limite a sua presidência, quando já perdeu o ano passado uma aposta semelhante.

As pesquisas indicam, além disso, que atualmente só um terço dos venezuelanos apoiariam esta iniciativa.

O "Post" afirma que, com a emenda, Chávez quer "se eternizar" no poder e evitar que lhe "escape" a oportunidade de chefiar um bloco de Estados autoritários e antiamericanos na América Latina.

O editorial refere-se ainda às eleições regionais de novembro, em que Chávez gastou milhões em "compras de eleitores" e as autoridades eleitorais estatais atrasaram a publicação dos resultados.

Nestas circunstâncias, Obama encontrará uma Venezuela em "turbulências", mas adverte que qualquer tentativa de influir no plebiscito "seria provavelmente contraproducente".

"Obama tem que deixar claro que qualquer oportunidade de aproximação entre Chávez e sua administração desaparecerá se ele se perpetuar de maneira corrupta no poder", conclui o "Post".

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