Paris, 9 jul (EFE) - Carla Bruni, cujo primeiro disco desde que se casou com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, será lançado na sexta-feira, afirma que o Palácio do Eliseu não intervém em sua vida artística, e qualifica de misógina qualquer conjetura nesse sentido. Penso que o fantasma da manipulação do Palácio do Eliseu é um pouco misógino. Como se uma mulher não pudesse manter sua liberdade e personalidade simplesmente porque se casou com um homem que ocupa uma posição importante, afirmou, em entrevista que será publicada amanhã pelo jornal gratuito Metro.

Nas 14 músicas que compõem o terceiro álbum da cantora, "Comme si de rien n'était", a ex-modelo italiana recém-naturalizada francesa fala sobre a infância e do medo de envelhecer, assim como de seus relacionamentos anteriores.

E compara o amor a uma "droga" em uma canção, que originou protestos em Bogotá por se referir nela à "branca (cocaína) colombiana".

"Não há censura na França. Estamos em um país muito democrático", afirma Bruni, quando o jornalista se surpreende com que os textos escritos pela cantora não tenham sido retocados, e acrescenta: "Sou totalmente livre".

No entanto, reconhece que decidiu não subir mais em um palco enquanto for casada com o chefe de Estado, e afirma que se apresentará em programas de televisão.

Bruni, que tornou a terceira esposa de Sarkozy em 2 de fevereiro em cerimônia íntima no Palácio do Eliseu, afirma que não acredita que a imprensa seja hostil.

"Acho natural que me ataquem pela minha música ou minhas letras, mas que me ataquem por ser apaixonada por meu marido, isso acho bastante incomum", diz.

Ela brincou com o fato de ter se definido como uma "epidérmica de esquerda", quando tenta desculpar a ex-candidata socialista à Presidência, Ségolène Royal, que acusou Sarkozy de estar por trás de um recente assalto a seu apartamento.

"Não sei se alguém pode controlar sempre o que diz. Como ela (Royal) está, sem dúvidas, em uma posição difícil, passa dos limites, às vezes...Sinto por ela, em todo caso", disse.

A paixão do marido é a música francesa, segundo Bruni, que disse compartilhar com ele os gostos por cantores como Jacques Brel, Serge Gainsbourg, Léo Ferré e Barbara, nas que também o fez descobrir os artistas anglo-saxãos.

"As canções de Bob Dylan, Leonard Cohen e dos Beatles são uma forma maravilhosa de compreender uma língua, da mesma forma que os filmes", diz.

Mais uma vez, Bruni nega estar grávida e afirma que sua barriga se deve "apenas a que, de vez em quando, bebo uma cerveja".

"Eu gostaria muito de estar grávida, mas não estou. Se estivesse, não fumaria", explica. EFE ik/db

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