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O tempo corre a nosso favor , diz presidente de Honduras

José Luis Paniagua. Tegucigalpa, 1 jul (EFE).- O novo presidente de Honduras, Roberto Micheletti, recorre a Deus pedindo um reconhecimento externo para subsistir quando perguntado sobre o isolamento internacional, e diz que o tempo corre a favor do atual Governo, estabelecido no domingo após a saída de Manuel Zelaya do poder.

EFE |

"O tempo corre a nosso favor", assegurou Micheletti em entrevista à Agência Efe na Casa Presidencial, no dia seguinte de anunciado o adiamento para sábado do retorno de Zelaya e apesar do ultimato de 72 horas dado pela Organização dos Estados Americanos (OEA) para que o presidente deposto seja colocado de volta ao poder.

"Corre a nosso favor, porque estamos tendo oportunidade de mostrar com tempo aos países que no momento têm dúvida do que aconteceu aqui as informações que temos sobre todos os erros cometidos pelo ex-presidente Zelaya", explicou.

O presidente tenta escorar sua mensagem otimista assegurando que seu Governo vai "seguir recebendo o apoio de outros países para poder subsistir" e reiterou ter confiança de "que o mundo compreenderá" que "nenhum crime" foi cometido.

"Estamos com esperança, com fé em Deus que vão nos reconhecer", acrescentou Micheletti, que completa 61 anos em agosto próximo.

Segundo ele, Zelaya deixou o país porque quis, embora talvez "pelos nervos", e que ninguém o colocou em um avião à força, apesar de militares o terem detido no domingo ainda de pijama e levado o então presidente à Costa Rica.

"Possivelmente no momento em que foi perguntado, disse que queria ir, pelos nervos, por essas coisas. Porque o que ele merecia era prisão", afirmou o presidente, que destacou que "não foi dado um golpe".

Micheletti defendeu a legalidade do Governo estabelecido após a derrocada de Zelaya, e ressaltou novamente que não houve golpe.

"Que não joguem a culpa no Exército, que não joguem a culpa em ninguém, o presidente (Zelaya) se excedeu em sua autoridade", continuou.

O presidente afirmou que se o presidente deposto retornar ao país ele não dará ordem para detê-lo, porque a autoridade competente para isso é o Judiciário.

"Ele cometeu erros, aqui todo mundo sabe a quantidade de delitos que cometeu", disse o líder, ao lembrar a chegada de um avião da Venezuela carregado de "material ilegal" no país para fazer a consulta sobre uma Assembleia Constituinte que Zelaya pretendia realizar no dia em que foi retirado do poder.

Micheletti assegura que "não há nenhum motivo" para que possa se sentar com Zelaya e encontrar uma solução para crise política aberta no país, que hoje cumpre sete dias.

"Não tenho diferenças pessoais com ele", acrescentou.

No entanto, consultado sobre um acordo conjunto, responde sem vacilar que "a solução de consenso já está dada: o Congresso tomou uma decisão".

"Nós vamos ficar aqui nesta Presidência, se Deus me permitir, seis meses", disse.

Sobre as acusações de violação da liberdade de imprensa no país, Micheletti reconhece que no domingo foi interrompido o sinal de alguns meios porque, como afirma, "começaram a incitar o povo a ir às ruas".

No entanto, assegura que "nenhum canal sofreu intervenção" no momento e ressalta que se canais como o 36 - propriedade de um aliado de Zelaya - seguem sem transmitir é porque "de repente tiveram problemas".

O presidente lamenta que na "América Latina se tenham cometido delitos em outros países e nunca a OEA nem a ONU intervieram" e assegura que por mais que os organismos internacionais se empenhem em pôr Zelaya de volta ao poder, "aqui o povo tem seu claro e definido pensamento democrático".

"Não podemos ficar sós, não prejudicamos nenhum outro país", completou.

Ao ser questionado sobre o cenário apresentado a partir do sábado, quando termina o ultimato da OEA, o presidente citou Cuba.

"Os cubanos vivem há 50 e poucos anos isolados, mas têm um montão de amigos, então, pouco a pouco, também vamos receber o apoio de outros países para poder subsistir", afirma. EFE jlp/rr

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