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Nova geração do Fatah domina principal órgão de decisão do partido

Nuja Musleh. Belém (Cisjordânia), 11 ago (EFE).- O partido nacionalista palestino Fatah deu um passo rumo a sua renovação hoje com a maioria atingida pela chamada nova geração em seu Comitê Central, principal órgão de decisão da legenda, do qual ficaram de fora pesos pesados do histórico movimento.

EFE |

Segundo dados preliminares, a ala mais jovem do Fatah conseguiu dois terços dos 18 postos do Comitê Central em jogo, cujos ocupantes foram eleitos pelos 2.500 membros do partido presentes ao sexto congresso da legenda, que acontece em Belém.

Um dos escolhidos é o carismático Marwan Barghouti, que foi condenado cinco vezes à prisão perpétua em Israel, mas que é considerado como o possível sucessor do presidente reeleito do Fatah, Mahmoud Abbas, que tomou as rédeas do movimento após a morte de seu fundador, Yasser Arafat, em 2004.

Também farão parte do Comitê Central militantes como Jamal Muheisen, governador de Nablus; Hussein Isheij, ministro de Assuntos Civis da Autoridade Nacional Palestina (ANP); e Nasser Al Qudwa, ex-ministro de Assuntos Exteriores e sobrinho de Arafat.

Caso os resultados divulgados ao longo do dia sejam confirmados, o Comitê Central também incluiria o antigo "homem forte" na Faixa de Gaza e "ovelha negra" do movimento islamita Hamas, Mohammed Dahlan.

A surpresa é a possibilidade de que Ahmed Qorei, ex-primeiro-ministro da ANP e líder negociador palestino na Conferência de Annapolis, nos Estados Unidos (2007) - o último esforço de paz registrado até o momento -, fique fora da direção do Fatah.

Qorei foi um dos principais incentivadores e organizadores do congresso. Sua queda simbolizaria como nenhuma outra a mudança de gerações dentro do partido palestino, cujo marco é a conferência de Belém.

Além de Qorei, cinco dos dez membros da chamada "velha guarda" que tentavam a reeleição no Comitê não teriam obtido votos suficientes para permanecer no órgão.

De qualquer forma, a grande maioria dos prováveis novos integrantes da direção compartilha do projeto de Abbas, reeleito pelo congresso no sábado passado como presidente do Comitê Central do Fatah para os próximos cinco anos.

Uma vez confirmados os dados preliminares da votação para o comitê, haverá a apuração dos votos para os 80 postos em disputa do Conselho Revolucionário, espécie de Parlamento interno do movimento.

Ambos os órgãos serão ampliados posteriormente, 22 integrantes no Comitê Central e 120 no Conselho Revolucionário, com membros que serão nomeados pelos escolhidos na votação.

Logo após o início da divulgação do resultado das votações internas do Fatah, o Hamas pediu à nova liderança da legenda para que "preserve a unidade palestina e adira à resistência", segundo declarou à imprensa Sami Abu Zuhri, porta-voz do movimento islamita na Faixa de Gaza.

Além de retomar as negociações com Israel para a criação de um Estado palestino, sem renunciar à resistência, o congresso tem o objetivo de "limpar a imagem" do Fatah para vencer o Hamas nas eleições previstas para janeiro.

Desta forma, o movimento nacionalista pretende recuperar a hegemonia popular que tinha quando Arafat era vivo e que, dois anos depois da morte do histórico líder, perdeu nas eleições de 2006, quando o Hamas conseguiu a maioria absoluta.

Agora, o congresso de Belém se encaminha para seu fim após se estender por sete dias em vez de três, como havia sido programado, devido ao calor dos debates. Este é o primeiro evento do gênero que o Fatah celebra em 20 anos e em território palestino ocupado por Israel, outro fato inédito. EFE nm-ap-aca/bba

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