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Não queremos usar a soja como colar , ironizam argentinos

Não queremos usar a soja no pescoço, ironizava em uma faixa um grupo de manifestantes durante comício de apoio à presidente da Argentina Cristina Kirchner, que enfrenta um conflito com o setor agrário há 100 dias.

AFP |

Dezenas de milhares de pessoas se concentraram na Praça de Maio, o histórico passeio público em frente à Casa Rosada (governo), tradicional palco de manifestações políticas na Argentina, em ato convocado pelo peronismo, o partido no poder, em meio à disputa pelo lucro advindo das exportações da soja.

"Estou aqui em apoio à democracia, quero continuar votando. Querem fazer o governo ajoelhar e é preciso defendê-lo", disse à AFP Mirta Gaggini, de 52 anos, que veio do bairro portenho de Flores.

Bandeiras e cartazes indicavam a presença de grupos de caminhoneiros, motoristas de táxi, empregados do setor telefônico, bancários, professores, entre outros sindicatos peronistas.

A praça lotada ficou imersa num respeitoso silêncio antes de a presidente Cristina Kirchner, a única oradora, a começar a falar. Houve até uma homenagem a um militante proveniente de Tucumã (norte), que morreu pela manhã quando caiu sobre sua cabeça a luminária de um poste do passeio público enquanto aguardava o ato.

O Hino Nacional entoado pelos manifestantes com os dedos em V e o punho para o alto substituiu a tradicional marcha peronista.

"O leite derramado não será negociado", dizia outro cartaz, em alusão aos milhares de litros de leite perdidos, devido ao bloqueio das estradas por agricultores em rebelião fiscal.

Com uma bandeira que o identificava como cidadão de Entre Rios (centro-leste), uma das ricas províncias do Pampa úmido onde mais se sente o conflito agrário, Javier Moussou, um electricista de 42 anos, disse à AFP estar no comício para "mostrar um outro lado, diferente da posição do campo".

Laura, uma desempregada, expressou seu desejo de "apoiar a presidente porque o pessoal do campo está prejudicando a todos".

Mãe de quatro filhos, o menor de um ano que a acompanhava, disse ter problemas para conseguir farináceos e leite em seu empobrecido bairro de Quilmes (periferia sul).

"Estou cansado de ouvir dizer que vêm para cá apenas as pessoas que são pagas. Há sindicalistas, partidos e pessoas que vêm sozinhas", explicouo Mariano Rómulo, vindo de La Plata (60 km ao sul) com um cartaz pintado a mão que rezava "Vim sozinho e não recebi dinheiro por isso".

ls/jos/sd

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