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Mosntro austríaco choca o mundo ao encarcerar filha por 25 anos

Antonio Sánchez Solís. Viena, 20 dez (EFE).- Mais de 8.

EFE |

600 dias, 18 metros quadrados de confinamento e pelo menos sete partos na solidão de um calabouço são alguns dos números que expressam o horror vivido por Elisabeth Fritzl durante os 25 anos em que seu próprio pai a manteve encarcerada e a submeteu a inúmeros abusos sexuais.

O caso do "monstro de Amstetten" deixou o mundo boquiaberto, diante da inconcebível tortura à qual Elisabeth foi submetida por seu pai Josef, um aposentado de 73 anos, desde que em 29 de agosto de 1984 a encarcerou no porão de sua própria casa.

O desaparecimento de Elisabeth foi disfarçado por seu pai com a versão de que a menina tinha fugido de casa para ingressar em uma seita desconhecida.

A ausência de Elisabeth foi denunciada à Polícia, mas nenhuma investigação levou ao paradeiro da filha de Josef Fritz, que havia sido trancafiada a vários metros debaixo do solo em um porão.

Desde então, ninguém viu nada: nem a esposa, nem os outros filhos ou mesmo os inquilinos que Josef abrigava em seu domicílio.

Após a divulgação do caso, e de ser detido em abril último, Josef alegou necessidade de manter sua filha afastada do mundo exterior e de punir uma adolescente de 18 anos que, segundo disse, já não respeitava suas regras.

Mas, na verdade, os motivos de Josef eram outros. Como ele mesmo confessou, estuprá-la era como um "vício", e a "ânsia de fazer algo proibido" era forte demais.

Desse contínuo incesto nasceram sete filhos. Um deles morreu após o parto, três foram adotados pelo próprio Josef para que vivessem com ele e outros três permaneceram escondidos.

No porão, Elisabeth e as três crianças cuja existência era mantida sob sigilo eram privados da luz do sol, até que em abril último a mais velha de suas filhas-netas, Kerstin, adoeceu de forma grave. O próprio Josef atendeu aos apelos de Elisabeth e levou a menina ao hospital.

Uma estranha doença diagnosticada fez com que os médicos solicitassem a presença da mãe, que convenceu seu torturador a deixá-la seguir rumo ao centro médico para apoiar a filha. A partir desse momento a Polícia começou a descobrir a terrível história.

A partir de então, a vida de Elisabeth e de seus filhos melhorou.

Kerstin conseguiu superar o coma e se recupera satisfatoriamente. As crianças do porão conheceram seus irmãos e viram pela primeira vez a luz do sol.

Pessoas próximas afirmam que as relações familiares são boas, embora partes da família tenham ritmos diferentes: para alguns, até um simples passeio pela floresta é uma novidade, enquanto outros não viam a hora de retornar ao colégio.

Todos vivem juntos, sob supervisão médica e protegidos do assédio da imprensa.

Já a situação de Josef não acabou bem. Promotores já concluíram seu processo, que inclui as acusações de assassinato, estupro, seqüestro e cárcere privado e incesto.

O primeiro dos delitos se refere à morte em 1996 de um dos gêmeos de Elisabeth que nasceu com problemas respiratórios.

A Promotoria argumenta que o acusado, "apesar de ter conhecimento da situação de risco para a vida do bebê, omitiu de forma premeditada o caso na hora de dispor da necessária ajuda de terceiros".

Se for considerado culpado no julgamento que começará no ano que vem, Josef passará o resto de sua vida na prisão.

Psicólogos entrevistados por jornais sensacionalistas austríacos afirmaram que, apesar de desarranjos de personalidade, o "monstro de Amstetten" está apto para responder às acusações em um tribunal.

Em conversas com a psicóloga autora do relatório médico sobre seu estado psíquico, Josef revelou que sua mãe o submeteu a maus-tratos contínuos e que, devido à ira de sua mãe, desenvolveu um "ideal de domínio" com relação às mulheres.

Durante o processo, foi revelado que já adulto, Josef manteve encarcerada sua mãe em um local sem janelas até sua morte.

Em declarações à psicóloga, o aposentado chegou a afirmar que ofereceu sua filha e seus filhos-netos prisioneiros "a melhor vida possível, levando em conta as circunstâncias" no porão.

"Levei material escolar para que a mãe pudesse dar aulas para eles no porão. E também ofereci brinquedos e inclusive animais de estimação", explicou o acusado.

Elisabeth declarou à Polícia, após escapar do cárcere privado, que seu pai a punia deixando o porão às escuras ou negando comida.

EFE as/fr

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