A América de Barack Obama, temporariamente enfraquecida pela crise econômica, continuará sendo a maior potência do mundo se mantiver uma lógica minilateral de alianças variáveis, avaliou nesta terça-feira, em Londres, o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, sigla em inglês).

O "minilateralismo" (por oposição ao "unilateralismo" dos anos Bush) consiste em "reunir o número certo de países para resolver um problema específico em diversas temáticas e em vários palcos", explicou o respeitado centro de análises políticas e militares em seu relatório anual 2009 ("Strategic Survey").

Esta posição pode até se tornar uma marca da presidência Obama, observou o diretor da IISS, John Chipman, ao apresentar o documento à imprensa.

Chipman citou como elementos de prova desta nova perspectiva americana as diversas convocações do G20 para tratar da crise econômica, a política da mão estendida aos países muçulmanos para associá-los à resolução do conflito israelense-palestino e da crise relacionada ao programa nuclear iraniano, a multiplicação das cúpulas sobre o aquecimento global, e a decisão inédita de Obama de presidir, no fim deste mês, uma conferência sobre a não proliferação nuclear no Conselho de Segurança da ONU.

"No âmbito nacional, Obama fez campanha no tema 'yes, we can', mas no cenário internacional ele pode acabar sendo levado cada vez mais a dizer 'no, we can't', a menos que consiga convencer um número crescente de países a dividir suas ideias e seu fardo", explicou o IISS.

Este é o único caminho para que "a política externa americana possa, nestes tempos difíceis, adiar ou inverter a teoria do declínio que alguns talvez tenham se apressado demais em mencionar", analisou.

Para o IISS, os Estados Unidos até saíram reforçados da crise econômica provocada em grande parte por eles.

"A crise mostrou a amplitude dos recursos que os Estados Unidos podem mobilizar para resolver uma situação. Assim, de alguma forma, a crise financeira reforçou o domínio americano, em vez de afetá-lo", afirmou.

"Os Estados Unidos têm mais capacidade que a China de reunir coalizões em torno de seus pontos de vista", destacou o instituto.

O IISS admitiu, porém, que o minilateralismo também trará seus problemas.

Segundo o instituto, os esforços para relançar a economia americana podem levar Washington a dar menos atenção à América Latina e à África.

"É inegável que algumas regiões acabarão recebendo uma atenção mais retórica do que prática. Pode ser o caso da América Latina e da África, onde os Estados Unidos evitarão se comprometer sem motivo sério", afirmou.

Devido a considerações econômicas semelhantes, "o congelamento ou o declínio dos orçamentos militares" limita as capacidades operacionais das potências europeias, declarou Chipman.

O IISS defendeu a redução das forças aliadas no Afeganistão, afirmando que o objetivo de perseguir a rede Al-Qaeda já foi atingido.

dh/yw

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.