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Maior democracia do mundo é complexa e está longe de ser proporcional

María Luisa Azpiazu. Washington, 2 nov (EFE).- Os Estados Unidos se dizem a maior democracia do mundo, uma nação que permite a cada estado organizar seus próprios sistemas de votação e decidir suas regras, mas, na realidade, a democracia americana está longe de ser proporcional.

EFE |

A "culpa" é do chamado Colégio Eleitoral, que, longe de ser o local onde se deposita o voto, é uma instituição do sistema político dos EUA criado pelos personagens que fundaram a nação.

O Colégio Eleitoral tem raízes na própria Constituição de 1787, mas passou praticamente despercebido na história eleitoral do país até as eleições de 2000.

O órgão é composto por 538 delegados, procedentes dos 50 estados mais o Distrito de Columbia.

Cada delegado tem um voto no colégio eleitoral, e esses votos são proporcionais à população de cada estado. O mais representado é o da Califórnia (55), seguido pelo Texas (34).

A Constituição atribui um mínimo de três votos no colégio eleitoral aos estados menores, mais o Distrito de Columbia, e estabelece que para ganhar a Presidência é necessário um mínimo de 270 dos 538 votos no colégio eleitoral de todo o país.

Salvo nos estados de Maine e Nebraska, o voto no colégio eleitoral é indivisível, ou seja, o candidato mais votado em cada estado leva todos os votos no colégio eleitoral do mesmo.

Segundo especialistas e estudiosos, o Colégio Eleitoral foi concebido como ponto intermediário de entendimento entre aqueles que defendiam a eleição direta do presidente e os que preferiam uma nomeação indireta fiscalizada pelas duas Câmaras do país.

Seguindo a fórmula dos chamados pais fundadores dos EUA - que estipularam que as eleições presidenciais seriam realizadas na terça-feira seguinte à primeira segunda-feira de novembro -, o voto no colégio eleitoral é depositado "na segunda-feira depois da segunda quarta-feira de dezembro", que é quando será oficializado o próximo presidente dos EUA.

Os pais fundadores criaram o Colégio Eleitoral por considerar que eleições diretas em nível nacional eram impossíveis de serem desenvolvidas. Queriam assegurar-se de que, no futuro, os pequenos estados ou os menos povoados fossem levados em conta pela esfera federal.

Após as eleições de 2000, quando George W. Bush, após uma interminável apuração na Flórida, garantiu finalmente a Presidência apesar de ter 300 mil votos populares a menos que seu oponente, o democrata Al Gore, muitos defenderam mudanças ou o fim do Colégio Eleitoral, entre eles a senadora democrata Hillary Clinton.

No entanto, o processo requereria uma emenda constitucional, algo que necessita do sinal verde de pelo menos dois terços das duas Câmaras do Congresso.

Além dessa peculiaridade, e em função da diversidade de uma nação como os EUA, os estados podem organizar suas votações como quiserem.

Oregon, por exemplo, só vota por correio, e outros 30 estados mais o Distrito de Columbia podem começar a votar com um mês de antecedência.

Em 2000 votaram por antecipação 15% dos eleitores registrados, e em 2004, 20%. Espera-se que este ano esse número supere 30%. EFE mla/fr

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