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Intriga Internacional , 50 anos da síntese do gênio Hitchcock

Mateo Sancho Cardiel. Redação Central, 17 jul (EFE).- Falso culpado, loira fria, mcguffin, humor, amor, ação e, claro, suspense estão reunidos em Intriga Internacional, uma autêntica síntese dirigida por Alfred Hitchcock, que completa 50 anos de lançamento hoje.

EFE |

Filmado entre dois de seus filmes mais famosos -"Um Corpo que Cai" e "Psicose" - e estreado no dia 17 de julho de 1959, "Intriga Internacional" teve uma gestação que foi, por si só, um enredo digno do próprio Hitchcock.

Reunido com o roteirista Ernest Lehman, o diretor britânico voltava às ordens da Metro Goldwyn Meyer (MGM) para adaptar um romance intitulado "The Wreck of the Mary Deare".

Lehman e Hitchcock mantiveram uma boa relação desde o início, mas não tanto com a história, por isso, decidiram escrever um roteiro completamente diferente e original. "O que diremos à MGM?" perguntou o roteirista. "Não diremos nada", respondeu o diretor.

As 65 primeiras páginas do roteiro foram tão brilhantes que o estúdio ofereceu um orçamento inicial de US$ 3 milhões da época, um sinal de confiança, levando em conta que "Um Corpo que Cai", um ano antes, tinha sido um baque comercial.

"Quando você escreve um roteiro para Hitchcock, você não escreve seu roteiro. Você escreve como se você fosse Hitchcock", explicava Lehman. E assim não deixou o mestre de fora de "sua" história, para a qual o cineasta só exigia um requisito: que incluísse uma perseguição nos rostos dos presidentes do monte Rushmore.

Hitchcock sintetizou para o roteirista: "Não estamos fazendo um filme, Ernie. Estamos fazendo um órgão como os dos teatros. Toque um acorde e o público ri. Toque outro e ele se espanta".

Acorde número um: um "mcguffin" - elemento do filme que chama mais atenção - com nome e sobrenome. George Kaplan era um falso agente da CIA que é confundido com um publicitário que se divorciou duas vezes por levar uma vida chata demais. Em poucos dias ele se vê correndo embaixo de um pequeno avião, na cena mais famosa do filme.

Para encarnar este herói por acidente, Hitchcock recorreu, pela quarta e última vez, a Cary Grant, que com 55 anos ainda deu dinamismo, elegância e um humor sofisticado ao filme.

Acorde número dois: a loira hitchcockiana. Ainda "viúvo", depois da morte de Grace Kelly, o diretor extraiu de Eva Marie Saint uma interpretação vulcânica como a ambígua Eve Kendall, a mulher que dizia "nunca falo de amor com o estômago vazio", quando queria dizer "nunca faço o amor com o estômago vazio".

Mais uma vez, Hitchcock brincava de gato e rato com a censura.

Acorde número três: o coquetel de gêneros. A magia do suspense enriquecia a tensão desse "bolo de vida" que para ele era o cinema, com ingredientes de pratos mais doces.

"Intriga Internacional" tem grandes doses de comédia, enredo romântico e ação frenética pela geografia americana: de Nova York a Chicago e depois para a Dakota do Sul.

Além disso, algumas variações do mestre são percebidas: uma Polícia ruim que não protege os cidadãos, a figura da mãe - esta vez mais cômica, que aterrorizante - e um vilão com dupla leitura: um fantástico James Mason com tendências homossexuais, interpretado por Martin Landau.

Como fio melódico, além disso, a trilha sonora de Bernard Herrmann, que se tornaria famoso um ano mais tarde com os violinos rasgados de "Psicose" (1960) e que compactava, intensificava e abrilhantava o perfeito mecanismo de entretenimento tecido por Hitchcock e Lehman.

Para terminar, claro, o mestre que soube criar suspense em um ambiente anti-clímax como o deserto da Califórnia filmou clandestinamente de uma caminhonete de venda de tapetes a sede das Nações e fechou um de seus filmes favoritos com a metáfora fálica de um trem "penetrando" um túnel. Final feliz, sempre, segundo Hitchcock. EFE msc/pd

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