Porto Príncipe/Santo Domingo, 4 set (EFE).- A tempestade tropical Hanna deixou pelo menos 90 mortos no Haiti, onde milhares de pessoas se amontoam em abrigos, sem comida nem água, enquanto a República Dominicana continua sob alerta e sem eletricidade em grande parte de seu território.

O escritório de Defesa Civil haitiana disse hoje em comunicado que as mortes foram registradas nas regiões norte, sul e oeste do país.

Os cálculos da instituição correspondem somente ao número de corpos resgatados. Desta forma, o número real de vítimas fatais pode ser muito maior.

No total, 169 pessoas morreram no Haiti nos últimos dez dias devido às chuvas e inundações provocadas por "Gustav" e pela tempestade tropical "Hanna", que avança hoje pelas Bahamas e pode se transformar em furacão antes de chegar aos sudeste dos Estados Unidos.

As chuvas começaram a diminuir em grande parte do Haiti, o que fez o Governo suspender hoje o alerta vermelho decretado no início da semana, além de anunciar o início das operações de socorro aos atingidos por "Hanna".

No entanto, várias cidades continuam incomunicáveis, o que dificulta a entrega da ajuda humanitária e agrava ainda mais a situação dos milhares de desabrigados deixados pela tempestade.

Muitos haitianos ainda estão sem energia elétrica e, segundo o Escritório Nacional de Eletricidade, são necessários cinco milhões de gourdes (US$ 131,5 mil) para reparar o serviço.

Mas a situação mais crítica é a dos refúgios, onde milhares de haitianos estão sem comida nem água. A imprensa local informou que muitas crianças se encontram desidratadas.

Na cidade de Gonaives, que foi inundada pelas chuvas e tem uma população de aproximadamente 150 mil habitantes, 120 mil foram atingidos, segundo a Cruz Vermelha, e há apenas há cem refúgios habilitados.

"O panorama é bastante desolador. No caminho para Gonaives, vimos pessoas dormindo debaixo de caminhões. Elas perderam todas suas coisas. Dá muita tristeza a situação vivida aqui", disse a porta-voz da Cruz Vermelha Marie-Louis Belanger em entrevista por telefone à Agência Efe desde as proximidades dessa cidade haitiana.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) anunciaram que enviaram por navio 60 mil litros de água e 7,5 toneladas de comida a Gonaives.

O senador de Artibonite, Yuri Latortue, pretendia levar um caminhão com água e alimentos a Gonaives, mas não pôde entrar na cidade e acabou por deixá-lo na localidade vizinha de Lestere até que o nível das águas diminua.

Para as outras regiões afetadas pelo fenômeno meteorológico, a Unicef disse que realiza diligências para enviar até para lá 15 mil lençóis, 12 caixas d'água, 5 mil unidades de material higiênico e 20 mil comprimidos para purificar a água.

A Espanha anunciou hoje que nas próximas horas enviará ao Haiti um avião com 14 toneladas de material de ajuda humanitária.

A ONG Intermón Oxfam também anunciou que amanhã enviará cerca de cinco toneladas de material de ajuda para o Haiti para responder aos danos causados pelo furacão "Gustav" e pela tempestade tropical "Hanna", em um avião habilitado pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID).

No outro lado da ilha, na República Dominicana, "Hanna" não fez vítimas fatais, mas 11.580 pessoas foram evacuadas, 55 comunidades ficaram isoladas e 2.316 casas, quatro pontes, três estradas e 22 aquedutos foram danificados.

"Hanna" afetou ainda quase a metade das fábricas de eletricidade do país, deixando grande parte do território sem esse serviço.

O país, que também foi atingido na última semana pelo furacão "Gustav" - que deixou oito mortos - se prepara agora para receber "Ike".

Segundo o Escritório Nacional de Meteorologia (Onamet), ele pode se aproximar da costa norte do país entre sábado e domingo. EFE mf/rb/plc

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