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Estou sendo tratado como um delinquente , diz brasileiro detido na Espanha

Cerca de 20 brasileiros que desembarcaram por volta das 5h (horário de Brasília) deste sábado em Madri, na Espanha, estão detidos no aeroporto local sem nenhum tipo de explicação ou assistência. De acordo com Márcio Menezes, que está preso junto de sua esposa, cunhada e filho de quatro anos, eles estão sendo tratados como ¿cretinos e delinquentes¿ pelas autoridades. ¿Para colocar numa palavra, o tratamento é desumano¿, disse.

Severino Motta e Sarah Barros, do Último Segundo |

Segundo Márcio, cerca de 10% dos passageiros de seu voo não conseguiram passar pelo controle de imigração. O brasileiro reclamou da falta de critério dos oficiais espanhóis, uma vez que ele apresentou as passagens de volta, confirmou sua estadia e possuia dinheiro suficiente para a visita.

Não alegaram nada. Só disseram: 'o senhor, por favor, me acompanhe'. Estou com meu filho de quatro anos, esposa e cunhada. Mostrei passagem de volta, endereço da casa, perguntaram o quanto eu carregava, mostrei que era compatível. Mas não adiantou, nos prenderam e não alegaram nada, nem passaporte errado, nem dinheiro, não alegaram nada. Não sei porque eu estou aqui, contou.

Márcio também revelou que até o momento nenhuma autoridade brasileira entrou em contato com o grupo, que está detido numa sala de 50 metros quadrados somente com as roupas do corpo, documentos brasileiros e o dinheiro que carregava.

Além de seu filho, Márcio disse que uma outra criança, que aparenta seis anos, também faz parte do grupo dos detidos. Até o momento, somente uma refeição foi oferecida pelos agentes locais. Até para tomar água está difícil, narrou.

Márcio, que trabalha com tecnologia em São Paulo, já fez mais de uma dezena de viagens para o exterior e se disse impressionado com o tratamento na Espanha. Chegou a dizer que, apesar de ver o noticiário, principalmente no ano passado, sobre a prisão de brasileiros que tentavam desembarcar no País, a coisa não era assim tão dura.

Nunca pensei que pudesse acontecer comigo. Achava que a imprensa exagerava, mas era tudo verdade. Parece que somos prisioneiros de guerra, desabafou. Nessa hora nada funciona, não checam internet, não falam com a Receita Federal no Brasil, não buscam saber quem somos, parece que é idade da pedra, completou.

Apesar da situação, e de policiais locais terem lhe dito que 90% de quem fica detido na sala em que ele se encontra são deportados para o Brasil, Márcio não perdeu a esperança de passar as férias com a família. "Espero que você me ligue amanhã e eu diga como está sendo bom ficar na Espanha, pois o que vi até agora é algo muito, muito ruim.

A reportagem do  Último Segundo entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores para saber que tipo de socorro será prestado aos brasileiros, mas ainda não obteve resposta.

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