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Em Gaza, também se morre de doenças causadas pelo frio

GAZA - Neste sábado, tropas israelenses entraram por terra na Faixa de Gaza. É o primeiro ataque deste tipo desde o início da ofensiva. O relato de um palestino que precisou ir a um hospital por estar com insuficiência respiratória mostra que em Gaza também se morre de frio.

Redação com agências internacionais |

    Os problemas começaram porque ele e a família dormem de janelas abertas para evitar que bombas quebrem os vidros de sua casa e eles sejam atingidos pelos estilhaços; as temperaturas oscilam em torno de zero grau.

    AP
    Ataque por terra em Gaza

    Tanque abre fogo contra a Faixa de Gaza

    "Na Faixa de Gaza, há oito dias submetida à ofensiva israelense, as bombas não são as únicas que podem matar: também existe o risco de doenças causadas pelo frio.

    Há oito dias, eu e minha família dormimos com as janelas abertas, embora a temperatura do lado de fora oscile em torno de zero grau. Somos obrigados a fazer isso, pois em caso de bombardeio a onda gerada pelas explosões quebraria os vidros e poderíamos ser feridos pelos estilhaços.

    Ontem, depois de uma semana dormindo no gelado, acordei com uma tosse fortíssima, e quando anoiteceu eu mal podia respirar. Ir à farmácia é impossível: estão quase todas fechadas, e as únicas duas que seguem abertas já não têm mais remédios.

    Por outro lado, é sempre perigoso andar pela cidade, por causa das bombas que podem cair a qualquer momento. Por sorte, um amigo se ofereceu para ir comigo a um hospital.

    Ao chegarmos lá, deparei-me com uma situação terrível: todas as camas, mesmo as desocupadas, estavam machadas de sangue. Um médico me explicou, então, que eles não tinham tido tempo para limpá-las, porque assim que um paciente vai embora -- vivo ou morto -- seu lugar imediatamente é ocupado por outro.

    E mesmo se houvesse tempo, conta, isso de nada adiantaria, já que na lavanderia do hospital não há nem água nem eletricidade.

    Tentei esquecer do sangue, estendi minha jaqueta sobre a cama e deitei. O médico injetou na minha veia um remédio que me faria respirar melhor.

    Pouco tempo depois, ele voltou com um pequeno frasco de antibiótico, contando-me que teve de roubá-lo, porque todos os remédios mais usados ficam trancados, reservados para o caso de os israelenses iniciarem o temido ataque por terra.

    Em Gaza, milhares de pessoas se encontram na mesma situação que a minha, com bronquite, pneumonia ou coisas piores, mas não conseguem chegar ao hospital porque têm medo de sair de casa ou sentem vergonha por ocupar uma cama que deveria estar reservada aos que foram feridos pelas bombas.

    O doutor me disse que o diretor do hospital, Hassan Salas, organizou uma reunião de urgência para avaliar a situação caso Israel inicie uma invasão por terra. E a conclusão é que esta seria situação desesperadora: não estamos preparados para os milhares de pacientes que este tipo de ataque geraria.

    A situação é igualmente ruim no hospital pediátrico de Gaza, o Naser, onde a explosão de uma boba destruiu todos os vidros das janelas da maternidade e da sala em que estão as incubadoras, com 30 bebês prematuros.

    As crianças foram tiradas de lá junto com suas mães e levadas ao setor de emergência, mas as condições no local também são precárias.

    Na seção de oncologia, todos os tratamentos foram suspensos por falta de remédios. Com isso, os doentes de câncer podem apenas ser submetidos a exames clínicos".

    Bombardeio pelo mar

    Durante a manhã, Israel bombardeou Gaza por mar matou um alto comandante do Hamas. De sua parte, o Hamas manteve seus ataques com foguetes contra cidades do sul israelense, desafiando os apelos internacionais para que ponha fim a tais ações.

    À medida que a ofensiva de Israel entrava em sua segunda semana, moradores desesperados de Gaza se abrigavam em suas casas e agências de ajuda humanitária alertavam que os estoques de comida, água e suprimentos médicos estão acabando.

    Pouco antes do anoitecer, Israel deu início a um bombardeio contra Gaza. A ação provocou uma grande explosão na cidade de Gaza e também uma série de estrondos ao longo da fronteira, fazendo emergir uma névoa de fumaça e poeira que prejudicava a visibilidade. Não há de imediato informações sobre vítimas.

    Um líder do Hamas advertiu que o Exército israelense seria derrotado se invadisse Gaza, que é controlada pelo grupo.

    Durante o dia, pelo menos 20 ataques aéreos israelenses atingiram Gaza e navios de guerra também dispararam contra a região, a partir do Mediterrâneo, disseram testemunhas.

    *Com informações da Ansa

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