Efeito Obama opõe Livni e Netanyahu nas eleições israelenses - Mundo - iG" /

Efeito Obama opõe Livni e Netanyahu nas eleições israelenses

Elías L. Benarroch.

EFE |

Jerusalém, 26 jan (EFE).- Após o conflito em Gaza, o "efeito Obama" entra em jogo na campanha das eleições que ocorrerão dentro de duas semanas em Israel, onde espera-se para esta semana a chegada do enviado especial para o Oriente Médio do presidente dos Estados Unidos.

George Mitchell é esperado na quarta-feira na Autoridade Nacional Palestina (ANP) e em Israel para conversas sobre o cessar-fogo obtido em Gaza e para revitalizar negociações de paz que foram deslocadas da agenda pela convocação de eleições e pela ofensiva militar israelense na Faixa.

Esta "primeira incursão", como chama o jornal "Ha'aretz", da nova Administração americana na região causou surpresa em círculos diplomáticos israelenses por seu imediatismo após a posse de Obama e por ocorrer a apenas duas semanas de eleições decisivas no país.

As pesquisas deste fim de semana reafirmam a prevista vitória do ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, líder do nacionalista Likud, que tiraria do poder o Kadima de Tzipi Livni, ministra de Exteriores, com 29 dos 120 assentos em disputa.

A chanceler, que conquistaria 26 cadeiras, tentou lançar mão no sábado do "efeito Obama" para ganhar votos, ao advertir o eleitorado de que o líder direitista destruirá os laços com Washington.

"As pessoas se esquecem do que aconteceu com esta relação quando Netanyahu foi primeiro-ministro (entre 1996 e 1999) e é preciso lembrar disso", afirmou a ministra a um grupo de assessores, segundo o jornal.

Livni fazia referência ao fracasso do processo de paz de Oslo no segundo mandato presidencial de Bill Clinton por causa das posições de um primeiro-ministro que bloqueou qualquer concessão política aos palestinos e, com isso, prejudicou as relações israelenses com a Casa Branca.

Por isso, a chanceler está convencida de que a vitória de Netanyahu levaria a um novo choque em um momento no qual Obama consolida sua estratégia para o Oriente Médio.

"A pressão (do novo presidente) se dirigirá para aqueles que rejeitam o processo de paz; e Israel deverá escolher se está do lado que fomenta a paz ou do daqueles que a rejeitam", explicou.

O presidente dos Estados Unidos revelou suas prioridades em política externa ao anunciar, na quinta-feira, dois dias após sua posse, a nomeação de Mitchell como enviado especial, e fixar a paz no Oriente Médio como objetivo de uma iniciativa que, ressaltou, será "ativa e agressiva".

Favorável a seguir o processo negociador que começou na Conferência de Annapolis, em dezembro de 2007, Livni usará trechos de um livro do ex-enviado dos EUA para o Oriente Médio Dennis Ross, ligado ao novo presidente, para sua campanha eleitoral.

Em "The Missing Peace", o ex-enviado de Clinton qualifica Netanyahu de "insuportável" e, depois do primeiro encontro com ele, descreve a sensação de que o líder israelense se achava em posição de poder obrigar os EUA a cumprir seus desejos.

Fontes próximas ao líder nacionalista descartaram o efeito que a "Campanha Obama" poderia ter no pleito, e atribuíram ao "desespero" do Kadima o fato de colocar o presidente americano no centro das eleições em Israel.

Com essa polarização, quem fica de fora do debate eleitoral é o líder Trabalhista Ehud Barak, que não representa uma ameaça na corrida em direção à Chefia do Governo israelense nem com sua última e significativa recuperação nas pesquisas.

Com 19 cadeiras nas últimas pesquisas, o Partido Trabalhista só reafirma sua condição de terceira legenda, reforça sua condição de partido com o qual é necessário fazer aliança e garante para Barak o cargo de ministro da Defesa, o segundo na hierarquia local por prestígio e orçamentos.

A recuperação dos trabalhistas, que há alguns meses afundaram em previsões de um só dígito, é estimulada pela ofensiva militar de Israel em Gaza, que o eleitorado considera um sucesso pelo baixo número de mortos no Exército e entre a população israelense, 13 no total, frente a 1.400 palestinos. EFE elb/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG