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Clima de medo ameaça liberdade de imprensa, afirma relatório

Nações Unidas, 10 fev (EFE).- Governos e grupos armados mudaram de tática e substituiram a censura pelo clima de medo como principal forma de tentar aplacar a imprensa no mundo, denunciou hoje o relatório Ataques à imprensa em 2008, do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

EFE |

O relatório tem 341 páginas e conta com um prólogo do jornalista Carl Bernstein, que, junto com Bob Woodward, revelou o escândalo do Watergate.

O estudo faz menção especial à grave situação dos profissionais da imprensa na América Latina.

"Poderosos traficantes de drogas no México e nas favelas brasileiras, paramilitares na Colômbia e quadrilhas violentas em El Salvador e Guatemala aterrorizam a imprensa", advertem.

O resultado é que "os assassinatos, sequestros e agressões causaram uma autocensura generalizada na América Latina", acrescenta o trabalho.

Para o Comitê, este "clima de medo" é alimentado por fatores como as ameaças no Oriente Médio à independência de canais de televisão por satélite e a cópia do modelo chinês de controle da imprensa.

O grupo, que trabalha há quase 30 anos em defesa da liberdade de informação, lembrou que 41 jornalistas morreram no exercício da profissão em 2008, o que representa uma queda de 37% em relação ao ano anterior, quando foram reportadas 63 mortes.

Por outro lado, 125 jornalistas foram presos, dois a menos que em 2007, e quase a metade destes é de profissionais que trabalham em sites.

Os integrantes do Comitê lembram que, com 21 jornalistas presos, Cuba continua sendo o país com mais repórteres presos, superado apenas pela China.

"As grandes ameaças hoje em dia contra a liberdade de imprensa são mais graves que as que enfrentavam em gerações anteriores, pois tentam induzir um clima de medo e autocensura através da violência sistemática e das detenções daqueles que praticam o jornalismo verdadeiro", acrescentou.

Os jornalistas em países em desenvolvimento que enfrentam este "clima de medo" demonstram "um heroísmo que os que trabalham em Washington, Londres, Paris ou Montevidéu não têm necessidade de mostrar", afirmou Bernstein. EFE jju/db

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