Chegará o momento que a comunidade internacional terá de decidir sobre o Irã , diz Hillary no Brasil - Mundo - iG" /

Chegará o momento que a comunidade internacional terá de decidir sobre o Irã , diz Hillary no Brasil

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmou nesta terça-feira que a comunidade internacional, incluindo o Brasil, terá de decidir em breve se adota ou não sanções contra o Irã por seu programa nuclear. Chegará o momento que a comunidade internacional terá de decidir sobre o Irã, disse Hillary.

iG São Paulo |

A afirmação foi feita durante coletiva ao lado do chanceler brasileiro, Celso Amorim, em Brasília, após ser questionada sobre se os EUA se sentem frustrados com a defesa que o Brasil faz ao diálogo com o Irã para resolver o impasse.

Hillary afirmou que os EUA também favorecem as negociações, mas fez a ressalva de que até agora o Irã não deu nenhum claro de que favorece o diálogo. "O Irã vem recorrendo ao Brasil, Turquia, China para evitar sanções, mas achamos que elas são a melhor medida para evitar consequências no Oriente Médio e no mercado de petróleo", disse.

Segundo ela, "o Irã precisa saber que há consequências às recorrentes violações às regulamentações da Agência Internacional de Energia Atômica e do Conselho de Segurança da ONU".

Amorim defendeu a posição brasileira lembrando que os EUA, quando justificaram a invasão do Iraque, em 2003, disseram que o país tinha armas de destruição em massa. Como mais tarde foi provado que essa afirmação era falsa, Amorim disse que isso tem de ser usado como exemplo para que o mesmo erro não seja cometido em relação ao programa atômico do Irã.

Os Estados Unidos, assim como Rússia, China, Inglaterra, França e Alemanha querem aplicar sanções internacionais ao Irã por cogitar que o enriquecimento do urânio a 20% tenha o objetivo de fabricar armas nucleares. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, nega as suspeitas.

Segundo Hillary, ela e Amorim conversaram sobre temas como Oriente Médio, Irã, clima, Haiti, Chile e outros temas de natureza global.


Hillary e Amorim se encontraram nesta manhã em Brasília / AP

Encontro com Lula

Lula recebe Hillary na tarde desta quarta-feira, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) - sede provisória da Presidência da República, em Brasília.

Na pauta está o programa nuclear no Irã. Além disso, os dois devem discutir o processo de compra de caças brasileiros para a Força Aérea Brasileira (FAB). A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata à Presidência da República, também participará do encontro.

Na segunda-feira, durante passagem pela Argentina, Hillary afirmou que quer se assegurar de que o Lula "compreende a preocupação mundial com o Irã".

"Foi constatado que o Irã está violando as determinações da Agência Internacional de Energia Atômica e do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas)", disse. "Esse será um tema abordado pelo Conselho de Segurança, então quero me assegurar de que (o presidente Lula) tem a mesma compreensão que nós temos sobre como esse assunto vai se desenrolar."

Caças

Durante o encontro, a secretária americana também tentará reverter a "falta de confiança" que o Brasil tem em relação aos americanos e que deixou o país em posição desfavorável na disputa pela compra dos caças que equiparão a FAB pelos próximos 30 anos.

Porém, o governo brasileiro já manifestou por diversas vezes a sua preferência pela parceria estratégica com a França. E o ministro da Defesa Nelson Jobim fez, em várias entrevistas, críticas diretas à proposta americana, dizendo que os "precedentes" dos EUA de transferência de tecnologia "não são bons".

Na decisão do Planalto, que está sendo aguardada para o final deste mês, o F-18 Super Hornet americano está disputando com o Rafale francês e o Gripen sueco.

Visita ao Congresso

Na manhã desta quarta-feira, Hillary Clinton visitou o Congresso Nacional e afirmou a deputados e senadores brasileiros que espera que o Brasil colabore no esforço internacional para mudança de rumo do Irã .

Segundo relato do presidente da Comissão de Relações Exteriores, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), Hillary insistiu que Teerã descumpriu todas as resoluções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), e que diante disso o mundo deve se unir.

Hillary deixou implícito, de acordo com Azeredo, que essa união deve se dar em torno da proposta de novas sanções contra o Irã a serem dotadas pelo Conselho de Segurança da ONU. A secretária de Estado insistiu que o Brasil tem um importante papel nessa questão.

No primeiro compromisso o dia, Hillary se reuniu por 40 minutos com os presidentes da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e mais 15 parlamentares, entre deputados e senadores.


Hillary é recebida por Sarney e Temer no Senado / Ag. Senado

Giro pela América Latina

Depois de passar pelo Brasil nesta quarta-feira, Hillary irá à Costa Rica, onde se reunirá com o presidente Oscar Arias e com a presidente eleita Laura Chinchilla. Na Guatemala, a secretária de Estado dos EUA conversará com o presidente Álvaro Colom.

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