Caso da mala levanta suspeita de corrupção contra Chávez em 2008 - Mundo - iG" /

Caso da mala levanta suspeita de corrupção contra Chávez em 2008

Sonia Osório. Miami, 20 dez (EFE).- O julgamento do caso da mala revelou, em um tribunal de Miami, uma vasta rede de corrupção de funcionários públicos venezuelanos e a suspeita de ingerência do presidente Hugo Chávez em assuntos internos de outros países da América Latina.

EFE |

O caso foi investigado em um tribunal federal americano após a apreensão de uma mala com US$ 800 mil com a qual o empresário venezuelano-americano Guido Alejandro Antonini Wilson desembarcou em um aeroporto de Buenos Aires, em 4 de agosto de 2007.

O dinheiro provinha da estatal Petróleos de Venezuela S.A.

(PDVSA) e era uma contribuição de Chávez à campanha eleitoral da atual presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, segundo afirmaram diversas testemunhas da Procuradoria Federal dos Estados Unidos.

Tanto o Governo argentino quanto o venezuelano negaram e acusaram os EUA de tentar atrapalhar as relações entre os dois países latino-americanos.

Cinco pessoas foram acusadas no caso: os venezuelanos Franklin Durán, Carlos Kauffmann, Moisés Maiónica, Antonio José Canchica - foragido - e o uruguaio Rodolfo Wanceele Paciello.

Os Estados Unidos os acusaram de violar uma lei de 1917 que obriga agentes de Governos estrangeiros a se registrarem na Procuradoria-Geral para poderem atuar no país como tais.

Os promotores apresentaram contra eles acusações de conspirar e atuar como agentes do Governo venezuelano para esconder a origem e o destino da mala apreendida na Argentina.

Durán e seu sócio Carlos Kauffmann, donos da petroquímica Venoco, mantinham negócios com algumas empresas estatais e vínculos com funcionários públicos venezuelanos.

O Governo de Chávez teria lhes encarregado da missão de viajar para Miami.

Kauffmann, Maiónica e Wanceele Paciello declararam-se culpados após conseguirem um acordo com os fiscais federais para obterem penas menos severas, e Durán foi o único que decidiu enfrentar um julgamento alegando inocência.

Seu julgamento durou oito semanas e o júri integrado por 12 pessoas o declarou culpado depois de sete dias de deliberações, período durante o qual o processo correu o risco de ser cancelado porque o júri em princípio não conseguia emitir um veredicto unânime, como se requer nesse tipo de caso.

Antonini Wilson, que não enfrentou acusações em Miami, foi a principal testemunha da Procuradoria Federal e, durante seu depoimento no tribunal, disse que no avião em que aterrissou em Buenos Aires havia outra mala com US$ 4,2 milhões.

O empresário venezuelano-americano também disse que o ex-funcionário público argentino Claudio Uberti foi quem o convidou a tomar esse avião no qual viajavam funcionários das estatais Enarsa e da PDVSA e que, após a apreensão dos US$ 800 mil, esteve em uma recepção na Casa Rosada, sede do Governo da Argentina.

Por sua vez, Moisés Maiónica envolveu no caso o presidente Hugo Chávez, dizendo que ele tinha encarregado a Disip (serviço de Inteligência da Venezuela) de assumir o caso quando teve início o escândalo.

Chávez tomou essa decisão, segundo Maiónica, depois de o presidente da PDVSA e ministro das Minas e Energia, Rafael Ramiréz, não conseguir resolver o problema.

Kauffmann, quando depôs, revelou uma rede de corrupção da qual teriam participado políticos, funcionários e militares de alto escalão e rendido a ele e a Durán lucros de centenas de milhões de dólares em comissões e subornos.

Kauffmann contou que ele e Durán eram "como seus banqueiros", já que guardavam e investiam, por exemplo, os subornos que alguns militares obtinham através de "muitas companhias" com as quais faziam negócios.

Com riqueza de detalhes, o empresário descreveu mais de 11 casos de corrupção nos quais disse ter se envolvido junto com Durán.

Em um desses casos, contou que conseguiram mais de US$ 100 milhões com uma reestruturação de bônus e pagaram US$ 25 milhões ao ex-ministro das Finanças Tobías Nóbrega e a sua equipe de assessores por permitir sua participação na operação. EFE sob/jp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG