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Caso da Mala completa um ano com principal envolvido em liberdade

Buenos Aires, 4 ago (EFE).- O Caso da Mala, que causou a renúncia de funcionários, despertou suspeitas sobre o Governo da Argentina e congelou a relação do país com os Estados Unidos, completa hoje um ano com seu protagonista, o empresário venezuelano Guido Antonini Wilson, em liberdade.

EFE |

Em 4 de agosto de 2007, Antonini Wilson chegou a Buenos Aires procedente de Caracas levando uma mala com US$ 800 mil não declarados e acompanhado por executivos da estatal petrolífera argentina Energía Argentina (Enarsa) e da venezuelana Petróleos da Venezuela (PDVSA).

O aniversário do caso coincide com a visita do presidente venezuelano Hugo Chávez, nesta segunda-feira, a Buenos Aires para se reunir com a chefe de Estado argentina, Cristina Fernández de Kirchner.

Cristina se viu envolvida nesta trama quando um acusado assegurou que o dinheiro procedente de Caracas era destinado à sua campanha presidencial.

As declarações do suspeito envolvendo Cristina foram divulgadas por um promotor da Flórida (EUA), onde se averiguam atualmente atividades de espionagem por parte de agentes do serviço da Venezuela.

Em dezembro, a presidente argentina atribuiu essa versão ao que qualificou de "operação lixo" e outros membros do Governo fizeram duras críticas aos EUA.

Isso gerou tensões que as partes deram por superadas em fevereiro passado, quando o embaixador americano em Buenos Aires, Earl Wayne, explicou que o caso não tinha "objetivos políticos".

"Nunca retirei do meu pensamento nem de meus ditos o que considerei que isso era, manifestei isso perante quem devia e que, obviamente, representava nesse caso o Governo dos Estados Unidos.

Hoje a relação é como sempre, normal e séria como deve ser com todos os países", disse Cristina no sábado, ao ser perguntada sobre o caso durante a primeira coletiva de imprensa de seu mandato.

Chávez também negou seu envolvimento no envio de dinheiro a Buenos Aires para a campanha presidencial de Cristina, que sucede Néstor Kirchner na Presidência da Argentina desde dezembro.

O ex-presidente também foi relacionado ao caso quando se tornou público que Claudio Uberti, um funcionário argentino obrigado a renunciar pela polêmica, se reuniu com Kirchner no mesmo dia em que Antonini Wilson chegava a Buenos Aires com a mala.

Wilson permanece em liberdade nos EUA e promete ser a principal testemunha do julgamento que terá início nesse país daqui a aproximadamente um mês, segundo fontes ligadas à investigação.

Franklin Durán e Carlos Kauffmann, ex-sócios de Antonini, o advogado venezuelano Moisés Maionica e o motorista uruguaio Rodolfo Wanseele Paciello são acusados nos EUA de atuar como agentes encobertos pela Venezuela em território americano e de pressionar Wilson para que transferisse a mala com o dinheiro.

A promotora argentina María Luz Rivas Diez acusou Antonini de contrabando e pediu a captura internacional do empresário ao Governo argentino, que solicitou sua extradição aos EUA, ainda sem resultados.

Por sua vez, a Promotoria da Venezuela ordenou na sexta-feira passada a apreensão de Antonini.

"Posso dizer-lhe que meu cliente não era o dono da mala. Ele nem estava ciente de que o dinheiro estava nessa mala", disse a advogada de Antonini, Theresa Van Vliet, ao jornal argentino "La Nación".

Além de Claudio Uberti, ex-diretor do Órgão de Controle de Concessões Viárias, o caso causou a renúncia na Venezuela do gerente geral da PDVSA-América, Diego Uzcátegui, pois um de seus filhos estava no polêmico vôo. EFE ms/ab/rr

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