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Camisas vermelhas preparam batalha final contra Governo tailandês

Gaspar Ruiz-Canela. Bangcoc, 14 abr (EFE).- Os seguidores do ex-primeiro-ministro tailandês Thaksin Shinawatra, conhecidos como os camisas vermelhas, anunciaram hoje que concentrarão o protesto no distrito comercial de Bangcoc para empreender uma última batalha contra o Governo da Tailândia.

EFE |

"Não haverá mais negociações", afirmou Nattawut Sikua, um dos chefes da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura, a plataforma que organiza as manifestações antigovernamentais que tomam algumas áreas de Bangcoc já faz um mês.

Sikua assegurou a milhares de seguidores que o final do Governo está cada dia mais próximo.

Centenas de opositores foram à zona comercial indicada por seus líderes e deixaram Phan Fa, a outra área que ocupavam próxima à parte antiga da cidade, onde no sábado passado enfrentaram as forças de segurança. Tais confrontos deixaram 23 mortos e 874 feridos.

Em Phan Fa restaram vestígios da batalha campal, com manchas de sangue seco no chão, algumas marcas com a bandeira tailandesa, e veículos militares dos quais os manifestantes arrancaram poltronas, volantes, portas, partes do motor e outras peças.

O reagrupamento dos "camisas vermelhas" ocorre no mesmo dia em que morreram um civil e um militar feridos no sábado, aumentando para 23 o número de mortos.

Segundo o centro de emergência estatal, os mortos são 19 civis, inclusive um repórter fotográfico japonês, e quatro militares.

Pelo menos um terço dos feridos permanece em hospitais. Dezessete deles estão na UTI.

As autoridades acusaram um grupo de indivíduos, antigos militares ou na ativa, de ter provocado a violência durante o sangrento confronto de sábado.

"Não podemos deixá-los andar livremente pelo país. Temos suficientes provas fotográficas e vídeos que identificam aqueles que portavam fuzis M16 e AK-47", afirmou o vice-primeiro-ministro tailandês, Suthep Thuagsuban.

Na segunda-feira, a Comissão Eleitoral da Tailândia recomendou ao Tribunal Constitucional a dissolução do Partido Democrata por financiamento ilegal em 2005.

Se tal recomendação for seguida, o Partido Democrata será dissolvido e o primeiro-ministro do país, Abhisit Vejjajiva, e os outros membros da executiva do partido ficarão inabilitados para exercer cargos públicos durante cinco anos.

Vejjajiva, que desde o início das mobilizações trabalha em um quartel militar, ainda não se pronunciou sobre a decisão da Comissão Eleitoral.

O primeiro-ministro Vejjajiva chegou à chefia do Governo em dezembro de 2008 depois que o anterior partido governista, formado por aliados de Shinawatra, foi dissolvido por cometer fraude eleitoral.

Embora o chefe do Exército, Anupong Paochinda, tenha descartado um golpe de Estado, a oposição assegura que alguns setores militares preparam um levante militar para evitar a dissolução do Partido Democrata.

O porta-voz do grupo opositor Puea Thai, Prompong Nopparit, afirmou hoje que um general de alta patente, com nome de inicial "P", planeja outro levante.

"Se o general tiver sucesso com o golpe, a Constituição de 2007 será revogada e o Partido Democrata se salvará", assegurou o político. Segundo ele, se isso acontecesse o Exército também sairia impune em sua responsabilidade pela violência do fim de semana passado.

No entanto, o porta-voz do Puea Thai não apresentou provas de sua teoria.

Além disso, cerca de 400 tailandeses fizeram hoje a primeira manifestação contra os "camisas vermelhas" em Bangcoc.

Enquanto a Frente Unida quer a dissolução imediata do Legislativo, esses manifestantes, que marcaram protestos pela rede social Facebook, se opõem à medida.

Uma grande parte dos "camisas vermelhas", cuja maioria provém das classes rurais do norte e nordeste do país, apóia Shinawatra, deposto por um golpe de Estado em 2006. Eles exigem eleições antecipadas de forma imediata. EFE gcr/sa

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