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Camisas vermelhas mantêm protestos no 1º dia do Ano Novo tailandês

Gaspar Ruiz-Canela. Bangcoc, 13 abr (EFE).- O grupo de manifestantes conhecido como camisas vermelhas mantiveram hoje os protestos nas ruas de Bangcoc, no primeiro dia do Ano Novo tailandês, pedindo a renúncia do Executivo, enfraquecido pelo fato de a Comissão Eleitoral ter recomendado a dissolução do partido governante.

EFE |

Em um ambiente festivo por ocasião da chegada do Ano Novo, os líderes dos protestos, que tiveram início no dia 14 de março, insistiram em que prosseguirão com as mobilizações até que o primeiro-ministro da Tailândia, Abhisit Vejjajiva, dissolva o Parlamento e convoque eleições antecipadas.

"Estamos considerando a possibilidade de marchar até o quartel militar onde Abhisit está escondido, para que nos dê uma resposta", disse Nattawut Saikua, um dos líderes da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura, formação política dos "camisas vermelhas".

A decisão tomada na segunda-feira pelo organismo eleitoral apenas dois dias depois dos enfrentamentos em Bangcoc, nos quais morreram 21 pessoas, deu gás aos manifestantes e sacudiu as bases do Partido Democrata, liderado por Vejjajiva e principal formação da coalizão de Governo.

"Estamos satisfeitos com a decisão da comissão, mas não afeta nossos protestos", disse Saikua aos jornalistas.

Se for declarado culpado por um suposto caso de financiamento ilegal em 2005, o Partido Democrata, que tem seu reduto nas províncias do sul e na capital, será desmantelado, e os membros de seu Executivo serão inabilitados para exercer qualquer cargo público.

A Comissão Eleitoral recomendou na segunda-feira ao Tribunal Constitucional que dissolva o Partido Democrata, por destinar dinheiro de doações ao financiamento de sua campanha eleitoral.

Em declarações a jornalistas, Nipit Intharasombat, assessor legal do partido, assegurou que a formação está preparando as provas para demonstrar sua inocência. Se o partido fosse dissolvido, abriria caminho para a eleição de um novo Executivo, por meio de votação parlamentar.

Por sua parte, o influente chefe do Exército, general Anupong Paojinda, aconselhou o primeiro-ministro a convocar eleições antecipadas, o que foi interpretado como uma retirada da confiança no Executivo liderado por Vejjajiva.

Os "camisas vermelhas", seguidores do ex-líder deposto em 2006 pelos militares, Thaksin Shinawatra, culpam o primeiro-ministro e o Exército pela violência gerada pelos enfrentamentos que as forças de segurança e os manifestantes travaram em várias regiões da capital tailandesa.

Um total de 17 civis, entre eles um jornalista japonês que trabalhava para a agência de notícias "Reuters", além de quatro militares, morreram durante os choques, enquanto outras 863 pessoas ficaram feridas.

O centro estatal de emergências médicas Erawan informou que 276 feridos permanecem internados em mais de uma dezena de hospitais, entre eles 17 em unidades de terapia intensiva.

A rua de Khao San, coração dos protestos, será ocupada nos próximos três dias por tailandeses e turistas fazendo guerras de água para dar as boas-vindas ao Songkran, ou Festival da Água, por ocasião do ano novo lunar.

A festividade, que acontece no mês mais quente na Tailândia, precede a época das monções.

"Não sabia de nada, acabo de chegar de um curso de meditação. É apavorante, mas não tenho medo", disse à Agência Efe um turista suíço, enquanto observava um dos veículos militares abandonados na região.

O movimento dos "camisas vermelhas" é formado em sua maioria por ativistas sociais, tailandeses de pouco poder aquisitivo e camponeses do norte e do nordeste do país.

"A situação no norte se tornou insustentável pelos baixos preços do arroz e da seca. Queremos um Governo que se preocupe com os mais pobres", afirmou Jintana Srisong, professora em um colégio de Khon Khaen, província no nordeste do país.

"Sempre houve corrupção na Tailândia, também com Thaksin, mas pelo menos se preocupava com os mais pobres e conseguiu que todos tivessem acesso à saúde", disse a professora, que se uniu aos protestos há uma semana.

A colheita do arroz, principal atividade agrícola da Tailândia, começará em maio, mas os camponeses que protestam em Bangcoc não estão dispostos a voltar ao campo até que as eleições sejam convocadas.

"Com os preços atuais do arroz, também não vamos perder muito", assegurou outro manifestante.

A crise política na Tailândia foi gerada pelo golpe de Estado que derrubou Shinawatra em 2006, acusado de corrupção e nepotismo. EFE grc/pd

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