Bangcoc, 22 mar (EFE).- Os protestos dos camisas vermelhas, seguidores do ex-primeiro-ministro tailandês deposto, Thaksin Shinawatra, entraram hoje em seu oitavo dia em Bangcoc com a esperança de que aconteça um diálogo entre os manifestantes e o Governo.

Está previsto que o primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva, mande dois representantes para negociar com os dirigentes da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura, organizadora das mobilizações.

Os "camisas vermelhas" insistem em que querem negociar diretamente com o chefe do Executivo, que se nega a dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas, como exigem os manifestantes.

Cerca de 30 mil ativistas continuam concentrados em uma região do centro velho de Bangcoc, onde há oito dias montaram seu acampamento e onde, segundo seus líderes, devem permanecer durante pelo menos outras duas semanas.

A Polícia calcula que até 65 mil "camisas vermelhas" percorreram no sábado a capital tailandesa com uma caravana de centenas de motos, carros e caminhonetes para exigir de forma pacífica uma nova eleição.

Horas mais tarde, pelo menos duas pessoas ficaram feridas em ataques com granadas: um contra a Comissão Nacional Anticorrupção e outro ocorrido nas imediações do Ministério da Defesa.

O Exército tailandês suspeita que os ataques foram perpetrados por alguma facção dos manifestantes com o propósito de aumentar a tensão, após encontrar uma caminhonete nos arredores com armas, explosivos e duas camisetas vermelhas.

A Tailândia está imersa em uma profunda crise desde o golpe de Estado perpetrado em setembro de 2006 contra o multimilionário Shinawatra, um ex-policial que ganhou as classes populares com a aprovação de medidas de saúde e sociais.

A grande maioria dos "camisas vermelhas" e as classes mais humildes do norte e nordeste do país idolatram Shinawatra, apesar de sua riqueza e alto padrão de vida, enquanto consideram o atual chefe do Governo um "fantoche" da elite e do Exército. EFE grc/ma

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