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Bototerapia utiliza poder curativo do ultra-som do boto-cor-de-rosa

Mateo Sancho Cardiel. Manaus, 13 nov (EFE).- O Centro Terapêutico do Boto-Cor-de-Rosa, situado no rio Ariau, a poucos quilômetros de Manaus, é o único do mundo que aproveita em seu espaço natural os poderes curativos deste animal que vive no Amazonas e que têm aplicações oncológicas, neurológicas e fisioterapêuticas.

EFE |

Além de sua simpatia e sua atração turística, o boto-rosa possui no cérebro um potente sistema de ultra-sons que o transforma em um complemento natural para atenuar da leucemia à depressão, ou problemas de psicomotricidade.

O centro, dirigido pelo veterinário brasileiro Igor Simões, possui desde 2005 tratamentos baseados na interação com este animal, cujo sistema de ultra-sons cerebrais é maior do que o do golfinho.

Situado no rio Ariau, que liga os rios Negro e Solimões - que depois se torna o rio Amazonas -, o centro de "bototerapia", como também se conhece este tratamento, tem a peculiaridade de trabalhar com os animais sem mantê-los em cativeiro, o que multiplica a eficácia, e é especializado no tratamento infantil, ainda em pequena escala.

O boto-cor-de-rosa, com seus pequenos e quase inúteis olhos, compensa a deficiência visual com um gerador de ultra-sons capazes de, "ao entrar em contato com as pessoas, ter uma visão delas equivalente à de uma ultra-sonografia na qual, em seguida, localizam onde está seu problema", disse Simões à Agência Efe.

Após estudar veterinária e dedicar anos de pesquisa, Simões firmou sua tese sobre o efeito fisioterapêutico nos humanos de nadar com os botos, mas, depois, foi comprovando que sua aplicação se estendia também ao campo neurológico, ao oncológico e ao psicológico.

Os ultra-sons situam o problema e conseguem "um efeito de equilíbrio no corpo, geram endorfinas e estimulam o organismo, de modo que podem fazer melhorar o funcionamento de glândulas, a secreção de hormônios e o fluxo sanguíneo", explicou.

Segundo dados da Fundação Água Thought, um dos efeitos mais notórios dos botos é a capacidade para melhorar a sincronia inter-hemisférica - com sucesso em 75% dos casos - e ativar zonas latentes do cérebro, desbloqueando também traumas, e reverter a auto-estima, que também ativa o sistema imunológico do paciente.

Antes da ciência, já existia um mito indígena que ligava o boto-cor-de-rosa ao organismo do homem e, segundo o qual, o animal se transformava em homem à noite e fecundava as mulheres.

O boto, além disso, completa com seus ultra-sons de uma maneira natural a quimioterapia e a radioterapia para pacientes com câncer, segundo Simões.

Além disso, estimulam a necessidade de comunicação nas crianças com problemas de socialização e dinamizam a aprendizagem nos casos de Síndrome de Down, conseguindo resultados entre duas e dez vezes mais rápidos.

"Quanto maior é o problema, mais os botos formam empatia com o paciente", assegurou Simões, acrescentando que estes tratamentos conseguem o bem-estar nos próprios botos, que, inclusive, "aprendem" a ser mais eficazes.

O efeito terapêutico destes animais, que adultos podem chegar a pesar 180 quilos e a medir 2,5 metros, "é notado desde o primeiro dia", embora o tratamento possa durar até três anos, em sessões de duas horas.

Este tipo de tratamento é solicitado, na maioria, por pacientes brasileiros, mas também estão começando a chegar pedidos da Europa.

O boto-cor-de-rosa do Amazonas compartilha seu uso terapêutico com o turístico, devido a seu caráter afável e sua facilidade de trato com os humanos, objeto de visitas organizadas quase diárias, que conseguiram a redução da caça desse animal, já que sua carne servia antes de isca para a pesca em grande escala. EFE msc/jp/an

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