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Após terremoto será preciso repensar Haiti , diz coordenador de reconstrução no País

O urbanista Sérgio Magalhães afirma que o forte terremoto que abalou o Haiti exigirá a ¿revisão radical¿ do modelo de reconstrução do País, comandado atualmente pelo Brasil. Magalhães coordenou a proposta de revitalização do bairro de Bel Air, em Porto Príncipe, e participa do projeto de desenvolvimento urbano da capital haitiana, num trabalho que envolve os governos do Brasil e do Haiti, a ONU e a organização não-governamental Viva Rio. ¿O que já era difícil me parece hoje praticamente impossível¿, diz o urbanista, pessimista sobre o andamento da reconstrução. ¿Será preciso repensar o País¿, completa.

Rodrigo de Almeida, iG Rio de Janeiro |

Responsável pelo projeto de reforma urbana de favelas no Rio, quando foi secretário de Urbanismo (1986-1988) e de Habitação (1993-2000) da cidade do Rio, Magalhães esteve pela última vez em Porto Príncipe há três meses. Ele conta que as pessoas envolvidas no projeto de desenvolvimento urbano da capital trabalhavam com a hipótese de uma grande tragédia natural ¿ mas que viria com a chuva. As encostas estão ocupadas de maneira bárbara, diz ele. Mas o terremoto atingiu tragicamente a parte estável da cidade.

Para o urbanista, a sustentabilidade já era complicada antes do tremor. As condições sanitárias e ambientais, a oferta de luz e água, tudo era difícil em condições, digamos, normais. E agora? Como se sustenta o que já era insustentável?, questiona. Ele próprio diz não saber a resposta.

Magalhães lembra que, quando esteve em outubro no Haiti, achou lenta a recuperação em curso. Foi a quinta viagem que fez a Porto Príncipe. Achei pouco avanço, mas é que as condições são tão precárias que o desenvolvimento é assim mesmo, muito lento. Mas o que já era lento vai ficar ainda mais, sugere. As fotos que eu tenho da última viagem já são ultradeprimentes, lembra Magalhães.

O urbanista faz uma projeção desanimadora: Imagine que, num passe de mágica, todos esses edifícios oficiais sejam reconstruídos. O que será preciso depois disso? Ainda não se conseguiu uma economia que dê sustentabilidade à reconstrução do País.

Viva Rio

Uma equipe de cerca de 400 pessoas do Viva Rio está se mobilizando em Porto Príncipe para atender às vítimas do terremoto. Segundo o coordenador Tião Santos, a sede da ONG no Haiti está recebendo moradores que perderam suas casas. O grande problema agora é estocagem de alimentos e água, afirma Santos. O Viva Rio desenvolve projetos na região há mais de seis anos. Nossa equipe está treinada para agir em casos de enchentes e terremotos. Precisamos trabalhar rápido para retomar o quanto antes os trabalhos sociais que fazem parte da reconstrução do País, completa.

O prédio do Viva Rio sofreu apenas pequenas rachaduras com o terremoto. Ninguém ficou ferido. Entre os voluntários está André DÁvila, filho do coordenador-geral do Viva Rio, Rubem César Fernandes, que viaja ainda hoje para Porto Príncipe. Havia muita poeira em torno, e as pessoas saíram para as ruas a fim de evitar maiores danos, conta Tião Santos. Segundo ele, o posto de gasolina em frente à sede explodiu. Pelo que nossa equipe nos relatou, havia muito fogo, muito grito, mas graças a Deus não houve maiores danos.

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