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Anjos e Demônios estreia em Roma em meio a nova polêmica com o Vaticano

Ivan Fombella. Roma, 4 mai (EFE).- Uma nova polêmica com o Vaticano acompanhou a estreia mundial de Anjos e Demônios, a segunda adaptação para o cinema de um livro de Dan Brown, depois de O Código Da Vinci ter suscitado protestos entre a comunidade católica por seu retrato de um Jesus Cristo casado com Maria Madalena e com filhos.

EFE |

A primeira exibição do filme reuniu em Roma o diretor da fita, Ron Howard, o próprio Brown e as estrelas encarregadas de dar vida aos personagens principais, como Tom Hanks e Ewan McGregor.

Todos eles desfilaram pelo tapete vermelho escoltados por uma fictícia Guarda Suíça e por grandes estátuas de anjos e demônios, uma ambientação provocadora que custou à produção boa parte do 1 milhão de euros gasto no estreia.

Muito glamour e uma pitada de publicidade gratuita às custas da Santa Sé voltaram a transformar Roma na capital cinematográfica da Europa por algumas horas e no destino de muitos fanáticos pelos "thrillers" religiosos inspirados em obras de Dan Brown. Já há inclusive anúncios de passeios turísticos para visitar os cenários do filme.

Mais uma vez, Tom Hanks assume a pele do professor Robert Langdon, um especialista em simbologia religiosa que se vê envolvido em um mistério com cenário místico. E, novamente, há a polêmica entre a produção e o Vaticano.

Segundo Ron Howard, a Santa Sé pressionou para que a equipe do filme não recebesse as permissões necessárias para filmar em alguns locais de Roma.

As manifestações públicas da Igreja a respeito do filme foram poucas. O porta-voz do Vicariato de Roma, Marco Fibbi, disse que a fita "vai lesar o sentimento religioso" depois de negar à produção as permissões para filmar na Cidade do Vaticano.

Os bispos americanos também recomendaram que seus fiéis não vissem o filme.

Ontem, se soube que o bispo mais velho do mundo, Antonio Rosario Mennonna, de 102 anos, denunciou o filme às Procuradorias de Roma e de Potenza (sul da Itália) por um suposto tratamento "denigratório e ofensivo para os valores da Igreja e para o prestígio da Santa Sé".

E isso apesar de a adaptação cinematográfica ter eliminado o que talvez seja o elemento mais controvertido do livro: a descoberta de que o papa tem um filho.

Howard disse em entrevista coletiva que certas instituições de Roma se negaram a conceder as permissões de filmagem por pressões do Vaticano.

O superintendente especial para os museus de Roma, Claudio Strinati, se defendeu argumentando que, apesar de o pedido estar assinado apenas por um produtor, a equipe do filme pode rodar no Castelo de Santo Ângelo, diz o jornal "Corriere della Sera".

O último desencontro entre os cineastas e a Cúria Romana ocorreu nas últimas horas: segundo Howard, vários membros da Igreja foram convidados para assistir a "Anjos e Demônios", mas a oferta foi rejeitada, o que fez com que o diretor afirmasse ontem que não entende as críticas "de quem nem sequer viu o filme".

Entretanto, foi Tom Hanks que trouxe um tom conciliador e irônico ao dizer que, depois de protagonizar "O Código Da Vinci", tinha visitado o Vaticano "disfarçado" e pensando que todas os padres o "olhavam torto".

Duas vezes vencedor do Oscar, o ator afirmou ser uma pessoa "espiritual" e explicou que, apesar das polêmicas, não crê que vá ter mais problemas para entrar no Vaticano, "a menos que use bermudas".

Independentemente das polêmicas, o que fica é um espetáculo cinematográfico cujo antecessor, "O Código Da Vinci", arrecadou US$ 758 milhões. EFE if/bba

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