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Ali, o Químico é executado na forca

Bagdá, 25 jan (EFE).- Um dos membros mais impiedosos do regime de Saddam, Ali Hassan al-Majeed, conhecido como Ali, o Químico e primo do ex-ditador, foi executado hoje no Iraque, após acumular quatro penas de morte em diferentes julgamentos.

EFE |

Segundo a rede de televisão estatal "Al-Iraquiya", o condenado foi punido na forca, mesmo método aplicado contra Saddam Hussein em 30 de dezembro de 2006.

Em declarações à emissora, o porta-voz do Governo iraquiano, Ali al-Dabbagh, confirmou a execução hoje de "Ali, o Químico", embora não tenha confirmado a forma utilizada para matá-lo.

Al-Dabbagh destacou que as autoridades possuem o testamento do condenado, o qual determina que seu corpo seja entregue à sua família, decisão que será cumprida.

"Cumprimento as famílias das vítimas dos crimes cometidos por al-Majeed", disse o porta-voz do Governo. "Vocês têm que ser otimistas no futuro porque a Justiça de Alá está sendo cumprida", acrescentou.

A morte de "Ali Químico" coincidiu hoje com um triplo atentado em pleno centro de Bagdá contra vários hotéis, que deixou pelo menos 36 mortos e 71 feridos.

Al-Majeed era considerado o mais brutal representante do regime de Saddam, com quem tinha notórias semelhanças físicas. Ministro da Defesa e do Interior do regime, cresceu politicamente graças ao apoio de Saddam.

O anúncio da morte de "Ali, o Químico" feito pela rede de televisão "Al-Iraquiya" foi acompanhado de imagens de valas comuns e das brutais torturas aplicadas durante os anos da ditadura.

A última condenação à morte recebida por "Ali, o Químico" foi proferida em 17 de janeiro passado em um julgamento por ter ordenado em 1988 um ataque com gás venenoso contra os curdos, na cidade de Halabja, no qual morreram 5 mil pessoas.

Os feridos no ataque afirmaram que a aldeia foi atacada com armas químicas e identificaram "Ali, o Químico" como o principal culpado, pois era o responsável pelo Escritório de Organização do Norte do extinto partido Baath.

Anteriormente, tinha sido condenado à pena de morte em 2 de março do ano passado por planejar o assassinato de dezenas de xiitas em fevereiro de 1999, após a morte de seu mais importante líder, Mohammed Sadeq al-Sadr, assim como seu filho, na província xiita de Najaf, ao sul de Bagdá.

Em 2 dezembro de 2008, recebeu outra sentença similar por seu papel na repressão da revolta xiita no sul do Iraque após a derrota militar consequente da invasão do Kuwait em 1991.

Seis meses antes, em 24 de junho de 2007, tinha sido condenado a morrer na forca ao ser responsabilizado pela campanha de Anfal, entre 1987 e 1988, que causou a morte de quase 180 mil curdos iraquianos pela utilização de armas químicas.

O ex-ministro nasceu em 1941 em Tikrit (Iraque), cidade natal também de Saddam Hussein. Por pertencer à família que guiou os destinos do país durante mais de 24 anos, logo assumiu o cargo de ministro da Defesa, bem como entrou no Conselho do Comando Revolucionário, instância suprema de poder do antigo regime.

"Ali, o Químico" passou por vários cargos no Governo. Além da pasta da Defesa, também foi ministro do Interior do Iraque e governador do Kuwait durante a ocupação em 1990.

Em 23 de agosto de 2003, foi detido pelas forças americanas presentes no Iraque. Naquela época, al-Majeed era o quinto na lista dos 55 iraquianos mais procurados pelos Estados Unidos e era o "rei de espadas" no baralho publicada pelo Pentágono com os principais colaboradores de Saddam. EFE ah-cai/sa

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