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Absolvição de candidato favorito suscita polêmicas em eleição sul-africana

Johanesburgo, 21 abr (EFE).- A retirada na Justiça do processo aberto por corrupção contra Jacob Zuma, líder do partido Congresso Nacional Africano (CNA) e candidato à Presidência favorito nas pesquisas, monopolizou as atenções na campanha eleitoral para o pleito geral desta quarta-feira na África do Sul.

EFE |

A Procuradoria Geral da África do Sul retirou no último dia 6 as acusações de corrupção contra Zuma, após quase dez anos de polêmicas nos tribunais, e permitiu que o candidato chegasse às urnas livre de problemas com a Justiça.

No entanto, não eliminou as suspeitas que pesam sobre ele com relação à cobrança de propinas de uma empresa de armamento francesa em 1999, quando era vice-presidente do país.

Em comícios, debates e declarações, os líderes do CNA e da oposição fizeram referência à retirada das acusações de corrupção contra Zuma, o que acabou por deixar para trás outras questões importantes.

Helen Zille, líder da liberal Aliança Democrática (DA, na sigla em inglês), o principal partido da oposição, disse que a medida da Procuradoria Geral "abala a confiança no sistema judiciário".

Zille, prefeita da Cidade do Cabo, começou a ser conhecida do grande público como jornalista por artigos em que criticava o "apartheid", e já apresentou processo contra a decisão de retirada das acusações contra Zuma.

A DA também apresentou denúncia contra o advogado de Zuma e o subchefe do serviço secreto do país por divulgar gravações, supostamente obtidas ilegalmente, das alegações em que se baseou a Procuradoria Geral para retirar o processo aberto contra Zuma.

"Zuma terá de responder um dia à Justiça", disse Zille, que em sua campanha defendeu que a DA é o único partido capaz de frear o CNA em sua suposta intenção de "abusar do poder" e "abalar a Constituição".

O Congresso do Povo (Cope, em inglês), grupo formado por dissidentes conservadores do CNA após a destituição em setembro último de Thabo Mbeki da Presidência da África do Sul pela ala esquerda do partido, também destacou que o ocorrido "abala o império da lei".

O candidato presidencial do Cope, o bispo metodista Hamilton Mvumelwano Dandala, declarou que, com a retirada das acusações contra Zuma, "acabou a confiança na Justiça".

Zuma, por sua vez, disse que o Tribunal Constitucional (Supremo) "não é Deus", e atacou alguns juízes e promotores que não lhe foram favoráveis, propondo ainda mudanças no sistema judiciário.

O candidato do CNA garante que foi "vítima de abuso de poder sistemático" por parte do sistema judiciário e também que tem a "consciência limpa", pois assegura que não cometeu "nenhum delito contra o Estado ou o povo da África do Sul".

Zuma e seus aliados pretendem conquistar mais que dois terços dos deputados na Assembleia Nacional, composta por 400 membros, o que permitiria ao candidato do CNA governar com liberdade e promover mudanças na Constituição sem depender do apoio de outras legendas.

No entanto, a polêmica em torno de sua integridade prejudicou a campanha do CNA, assim como a dissidência do Cope, e por isso as eleições de amanhã deverão ser as mais disputadas desde 1994.

Acompanhado por seus simpatizantes, entre danças e cantos, como o que possui o sugestivo refrão "Traga minha metralhadora!", Zuma reiterou suas promessas de mais postos de trabalho, uma melhor educação, cobertura sanitária e construção de casas populares.

"Serei o presidente do povo", afirma, ao mesmo tempo em que pede não apenas voto para seu partido, como garante também que votar nos outros é o mesmo que "desperdiçar o voto".

Em tom populista, assegurou que seguirá com seu telefone celular na mão, em vez de repassá-lo a algum assistente, e que utilizará aviões da companhia nacional, SAA, e não o aparelho atribuído à Presidência. EFE cho/fr

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