Quneitra, nas colinas de Golã, fica conhecida como a cidade da destruição

Carmen Clara Rodríguez. Damasco, 30 mar (EFE).- Amanhece na região do Golã e as ruas das aldeias sírias se enchem de gente, mas há um lugar que não desperta, carece de vida, se chama Quneitra, a cidade da destruição.

EFE |

Quneitra é uma cidade fantasma: o traçado de suas ruas é reto, mas as casas estão caídas, jazem sobre o solo em uma amálgama de ferro e cimento.

A antiga capital da região de Golã passou para as mãos israelenses em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias. Posteriormente foi recuperada pelos sírios na guerra de Yom Kippur (1973) e recuperada pelos israelenses nessa mesma disputa.

Um ano depois, os israelenses abandonaram o território, mas antes de sair destruíram a cidade, deixando um rastro de desolação e ruína. A ONU desmilitarizou a zona próxima às fronteiras da região.

Exatos 36 anos depois, esta cidade, povoada anteriormente por 53 mil habitantes, segundo as autoridades locais sírias, é um monumento à destruição.

O antigo hospital foi centro de treinamento das tropas israelenses e suas paredes, de pedras grossas, mostram os disparos.

À direita do centro sanitário, após caminhar por uma das ruas vazias, estão os restos de uma igreja. "Antes que os israelenses destruíssem a cidade havia três mesquitas e três igrejas. Deixaram de pé uma mesquita e uma igreja", diz Mohammed Ali, membro do Governo local da região do Golã.

Quneitra tinha bancos, escolas, cafés. Todos esses edifícios que abrigavam a vida de seus habitantes estão dertruídos e hoje formam um monumento ao horror e à barbárie humana.

Os antigos habitantes desta tranqüila cidade tiveram que se estabelecer em outras partes da Síria, porque Quneitra não voltará a ser levantada até que Israel e o país assinem a paz.

A paz com Israel, por sua vez, só será possível "se nos devolverem o território ocupado", diz Ali.

E enquanto isso, por volta do meio dia, os proprietários das casas destruídas se sentam diante dos ferros e cimento do que foi seu lar e se põem a comer, enquanto as crianças correm pelos prados acostumados desde seu nascimento a esta paisagem.

A poucos quilômetros da cidade fantasma está "o vale dos gritos", onde familiares que se encontram de um lado e do outro das linhas fronteiriças traçadas pela ONU e que não podem se reencontrar se comunicam.

Os gritos vão de um lado ao outro da fronteira e em algumas ocasiões o megafone faz as vezes de telefone celular.

Se se segue viajando pela região de Golã, as cercas de arame se transformam em uma estampa cotidiana. Evitam a passagem por um campo minado.

Segundo contam os habitantes da zona, os soldados israelenses afirmam que limpar as minas do território suporia um risco para a população civil.

Enquanto isso, as forças da UNDOF, que se estabeleceram em Golã em maio de 1974, em consequência da resolução SC 350 da ONU, velam pelos acordos e se encarregam de manter a paz.

Tropas da Austrália, Canadá, Croácia, Índia, Japão, Filipinas e Polônia se encontram sob o comando do filipino Natalio Ecarma.

Desde que a UNDOF ficou a cargo do território, 206 civis morreram em consequência das minas.

O comandante assegura que os soldados da UNDOF lutam com as palavras e não com armas.

"Limpar a zona de minas não é uma missão desta força de paz, mas, falamos com os granjeiros afetados pelas linhas divisórias para evitar que passem as demarcações. Essas reuniões são bem recebidas pelos desabrigados, embora sempre nos digam que gostariam de poder movimentar seus rebanhos livremente", explica Ecarma.

Apesar dos inconvenientes, a região do Golã está sendo repovoada.

Segundo o comandante Acama "de uma população de cinco mil habitantes em 1974 passou para 45 mil em 2009". EFE cla/pb

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