Quito tem dia tranquilo, diz chefe de polícia depois de renunciar

Chanceleres da Unasul seguem para capital do Equador em solidariedade ao presidente Rafael Correa

iG São Paulo |

O chefe da polícia equatoriana, Freddy Martinez, afirmou nesta sexta-feira que "as coisas voltaram a uma calma relativa", depois de ter renunciado em consequência de uma rebelião de agentes das forças de segurança que sequestraram durante doze horas o presidente Rafael Correa.

"As coisas voltaram a uma calma relativa", disse o oficial. O chefe da polícia confirmou que tinha apresentado sua demissão por ter fracassado em dissuadir os revoltosos.

Martinez considerou que as manifestações tiveram uma "infiltração de pessoas que tentaram desestabilizar a polícia". Ele pediu também que o governo revise a lei aprovada na quarta-feira que reduz benefícios dos policiais.

AFP
Soldados armados com fuzis montaram um cerco em torno do Palácio de Carondelet
"Um comandante não respeitado, maltratado e agredido por seus subalternos não pode permanecer no comando", disse o chefe da polícia. "Foi um dia lamentável, crítico, caótico, porque a segurança do presidente estava em jogo", acrescentou.

Um dia depois da explosão do conflito entre policias e simpatizantes do governo, militares cercaram a sede do governo equatoriano, onde o presidente Rafael Correa despachava documentos.

Os soldados armados com fuzis montaram um forte cerco em torno do Palácio de Carondelet, no centro colonial, e impediam a entrada inclusive de simpatizantes de Correa, que com bandeiras do movimento governista Aliança País tentavam se aproximar para manifestar apoio ao mandatário.

Rafael Correa apontou Lucio Gutiérrez, ex-presidente do Equador, como um dos responsáveis pela "tentativa de golpe de Estado efetuada pela oposição e por alguns setores das Forças Armadas e da Polícia". Freddy Martinez será substituído pelo general Florencio Ruiz, segundo a agência de notícias estatal Andes.

Unasul

Nesta sexta-feira ministros das Relações Exteriores dos países da União Sul-Americana de Nações (Unasul) embarcaram para o Equador para manifestar apoio ao presidente equatoriano, Rafael Correa, um dia após uma violenta onda de protestos no país.

Os chanceleres de Argentina, Uruguai, Chile e Colômbia, além do ministro interino das Relações Exteriores brasileiro, Antonio Patriota, partiram de Buenos Aires – onde presidentes da Unasul tiveram uma reunião de emergência - para a capital do Equador. Os demais ministros embarcariam ainda nesta sexta-feira, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Argentina.

“Para a Unasul, o que aconteceu no Equador foi uma tentativa de golpe, que falhou, mas a tentativa existiu”, disse o chanceler argentino, Hector Timerman, antes de embarcar.

O encontro presidencial, na capital argentina, contou com a presença dos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez; da Bolívia, Evo Morales; do Chile, Sebastián Piñera; do Uruguai, José Mujica; e do Peru, Alan García; além da anfitriã, a presidente argentina, Cristina Kirchner; e do secretário-geral da Unasul, o ex-presidente argentino Nestor Kirchner. O representante do Brasil foi Patriota e do Paraguai, o vice-chanceler, Jorge Lara Castro.

Crise

O Equador mergulhou em uma crise na quinta-feira depois que policiais saíram às ruas em protesto contra um corte em seus benefícios salariais. Correa ficou detido por policiais em um hospital por várias horas e foi resgatado por militares de noite.

Lula disse que tentou conversar por telefone com Correa ainda na quinta-feira mas não conseguiu. Nesta sexta, o presidente brasileiro vai fazer nova tentativa.

"Não é possível que as pessoas não entendam que esse tipo de tentativa de derrubar um presidente não é correto. Policiais jogarem bomba num presidente é menos correto ainda", alertou.

Confrontos

Os protestos começaram quando centenas de policiais foram às ruas do país e tomaram vários quartéis, entre eles o maior de Quito, protestando contra um decreto ratificado pelo Congresso Nacional que acaba com os bônus de oficias de polícia e das Forças Armadas.

Eles também ocuparam, por várias horas, o aeroporto internacional da cidade. De Guayaquil, a maior cidade do país, vieram notícias de saques e assaltos a banco. Escolas e lojas foram fechadas e o governo declarou estado de exceção.

Forças de segurança usaram bombas de gás lacrimogêneo para tentar conter os manifestantes no maior quartel militar de Quito. Ao chegar ao local, Correa foi recebido pelos policiais rebelados com ofensas e pedradas.

Uma bomba de gás lacrimogêneo explodiu a poucos metros do presidente, que foi rapidamente retirado do local por seus guarda-costas e levado para o hospital. Mais tarde, em uma entrevista a uma rádio, Correa afirmou que "policiais rebelados estão tentando entrar no meu quarto, pelo teto". "Se algo acontecer comigo, a culpa é deles", disse ele.

Convocados por membros do gabinete de Correa, simpatizantes se dirigiram ao hospital "para resgatar o presidente", dizendo que havia "gente tentando entrar pelo teto para tirá-lo dali". No caminho, estes entraram em choque com policiais rebelados. Houve troca de tiros e dois policiais morreram. No total, Correa passou mais de 12 horas no hospital antes de conseguir ser resgatado.

*Com AFP, Reuters, BBC

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