O governo do Quirguistão enviou uma proposta ao Parlamento em que pede o fechamento da base militar americana de Manas no país. A base é usada para as operações da Otan e dos Estados Unidos no Afeganistão e é a única base americana na Ásia central.

O fechamento seria um golpe para essas operações, segundo o correspondente da BBC em Moscou, Richard Galpin.

A decisão de fechá-la teria sido causada pela desaprovação popular à base, segundo o porta-voz do governo Aibek Sultanaziyev.

Autoridades americanas disseram não ter recebido nenhuma notificação sobre o assunto. O Parlamento deve votar a proposta nesta quinta-feira.

O anúncio foi feito em um momento crítico, quando o novo governo americano planeja aumentar a presença militar no Afeganistão.

Para a Rússia, no entanto, trata-se de uma vitória diplomática significativa, já que o país procura reafirmar sua influência entre as ex-repúblicas soviéticas, diz Galpin.

A embaixada americana no Quirguistão afirma que a discussão sobre o futuro da base aérea de Manas vai continuar, e que até agora não recebeu nenhuma notificação formal sobre o fechamento.

O anúncio do presidente Kurmanbek Bakiyev foi feito na noite de terça-feira, pouco depois de o governo de Moscou ter prometido um pacote de ajuda no valor de US$ 2 bilhões para o Quirguistão.

Bakiyev disse que quando a base foi aberta em 2001, para ajudar a operação americana contra a Al-Qaeda e o Talebã no Afeganistão, a intenção era que ela funcionasse por, no máximo, dois anos.

O presidente também deixou claro que o governo americano não quer pagar o que o governo do Quirguistão considera o preço justo para manter a base aérea aberta, segundo o correspondente da BBC.

Segundo um porta-voz do governo, os Estados Unidos terão seis meses para encerrar as operações na base caso o fechamento seja aprovado pelo Parlamento.

O Pentágono já admitiu a importância da base para as operações americanas no Afeganistão.

Manas fica a apenas duas horas de vôo de Cabul e é a única base militar americana na região, depois da expulsão das forças americanas do Uzbequistão, em 2005.

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