(Embargada até 21h de Brasília) Londres, 8 mar (EFE).- A combinação de quimioterapia e radioterapia aumentam em até cinco anos a esperança de vida das pessoas que sofrem de glioblastoma - a variante mais comum e letal de tumor cerebral primário -, segundo uma pesquisa publicada hoje pela revista médica The Lancet.

Segundo o estudo realizado pela Organização Europeia para a Pesquisa e o Tratamento do Câncer (EORTC, em inglês) e pelo Instituto Nacional do Câncer do Canadá, a administração do agente quimioterapêutico temozolomida junto com a radioterapia oferece esta perspectiva para as pessoas com esta doença.

Os autores da pesquisa lembram que, durante os últimos 30 anos, a radioterapia pós-operatória foi o tratamento mais comum do glioblastoma, apesar de oferecer uma curta expectativa de vida (entre 9 e 12 meses, no máximo).

Mas os últimos testes realizados pelos citados institutos médicos "finalmente mostraram resultados promissores", já que o tratamento combinado com radioterapia e temozolomida "reduziu o risco de morte por causa do glioblastoma em 37%, em comparação aos casos nos quais só houve radioterapia".

Após dois anos, 27% dos pacientes que recebiam temozolomida e radioterapia continuavam vivos, frente aos 10% de sobreviventes entre os que só receberam radioterapia.

Três anos depois, a porcentagem de pacientes vivos que tinham recebido o tratamento conjunto era de 16%, e o dos que só se submeteram a radioterapia, de 4%.

Passados cinco anos, as porcentagens eram de 9,8% do grupo do tratamento combinado e de 1,9% das pessoas que só receberam radioterapia.

No entanto, o mais importante, segundo a equipe dirigida pelo doutor Roger Stupp, é que as melhoras na expectativa de vida se deram por igual em todos os grupos estudados, inclusive nos considerados com pior diagnóstico, como as pessoas de mais idade ou os pacientes dos quais não foi possível retirar os tumores através de cirurgia.

Outro elemento importante da pesquisa é que se constatou que os pacientes que viveram mais tempo com o tratamento combinado tinham tumores que apresentavam o gene MGMT desativado.

Os autores do estudo sugerem que esta descoberta torna necessário analisar os tumores para ver o status do citado gene, a fim de saber de antemão os pacientes que serão beneficiados em maior medida pela combinação de radioterapia e quimioterapia.

Para concluir, adverte-se que, "apesar desta melhora, que permite uma maior expectativa de vida, a maioria dos pacientes morre em um período curto de tempo".

"O tratamento combinado pode ser eficaz para reduzir o volume e a violência do tumor, mas realmente não modifica o comportamento natural da doença, por isso é pouco provável que esta via leve a uma cura", afirmaram os pesquisadores. EFE fpb/an

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