A recém-nomeada equipe de profissionais e deputados da ex-guerrilha salvadorenha, que trabalha na elaboração do programa de políticas públicas do presidente eleito Mauricio Funes, priorizará a questão social, em um contexto agravado pela crise econômica.

Depois de pôr fim a 20 anos de governos de direita, Funes, da Frente Farabundo Marti para a Libertação Nacional (FMLN), instalou na quarta-feira a equipe que irá estabelecer as prioridades da nova Administração, em um cenário de crescentes necessidades e recursos limitados, antes de sua primeira viagem ao Brasil, nesta quinta, como presidente.

Com a desanimadora notícia de que a arrecadação diminuiu vertiginosamente, produto da "incerteza" gerada pelo processo eleitoral, os profissionais recrutados por Funes precisarão de muita criatividade para o financiamento dos programas sociais.

Para o analista de direita, Juan Héctor Vidal, pela composição da equipe de Funes é possível dizer que o novo governo se focará nas áreas sociais, sobretudo, para atender à população mais vulnerável.

Entre os que acompanham Funes nessa empreitada, estão a ex-reitora da Universidade de El Salvador María Isabel Rodríguez, o deputado socialdemocrata e ex-chanceler Héctor Dada, o ex-prefeito de San Salvador Héctor Silva e o ex-diretor da Associação Bancária Salvadorenha (Abansa) Carlos Cáceres.

Também estão no grupo a juíza da Vara da Infância Aida Santos, os economistas Alexander Segovia e Roberto Turcios, o coronel reformado David Munguía, o integrante da FMLN Hato Hasbún, além de deputados do mesmo partido Roberto Lorenzana, Gerson Martínez, Karina Sosa e Hugo Martínez.

Segundo Vidal, os profissionais que integram a equipe e que não são da FMLN "merecem todo o respeito, porque têm conhecimento suficiente e, sobretudo, autoridade moral para ajudar o presidente a definir políticas públicas".

Para o analista e pesquisador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) Carlos Acevedo, o maior problema para a equipe de Funes será "como ele financiará" suas políticas sociais.

Para pôr seu plano de governo em marcha, Funes precisará estabelecer um "consenso amplo" para aumentar a arrecadação fiscal de 13% para 17%, ou 18%, lembrou Acevedo.

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