Nairóbi, 18 dez (EFE).- O presidente do Quênia, Mwai Kibaki, e o primeiro-ministro Raila Odinga chegaram a um acordo para que um tribunal local julgue os instigadores da violência pós eleitoral que deixou cerca de 1.

500 mortos e 400.000 deslocados em janeiro, informou hoje a imprensa local.

A decisão foi tomada ontem, dia no qual a "Comissão Waki" - responsável por investigar as causas dos confrontos - tinha estabelecido como limite para que o Governo queniano iniciasse sua formação.

A partir de agora, dispõem de 45 dias para estabelecer as leis necessárias que garantam o bom andamento do tribunal, e mais 30 dias para que este comece a funcionar.

O acordo implica, potencialmente, em acabar com a carreira política daqueles que sejam considerados culpados de terem organizado os confrontos que aconteceram após as eleições realizadas há um ano e que foram tachadas de fraudulentas por parte da oposição, então liderada por Odinga.

Uma das entidades acusadas de negligência foi a Comissão Eleitoral do Quênia (ECK), cujos membros foram cassados ontem.

Espera-se que os novos membros sejam designados no dia 24 de dezembro.

O Governo queniano afirmou que qualquer pessoa que ostentar um cargo público e que estiver vinculada aos atos criminosos que aconteceram após o pleito será suspensa de suas obrigações enquanto se espera a sentença.

O Governo também se comprometeu a mobilizar o Parlamento para que tome as medidas necessárias com o objetivo de iniciar um programa de proteção de testemunhas.

Quase um ano após as eleições que evidenciaram a vulnerabilidade do sistema político, o Quênia tenta voltar a seu papel de nação impulsora do leste africano e mediadora nos conflitos dos países vizinhos.

No entanto, inúmeros especialistas afirmam que a situação poderia se repetir caso não se renove a Constituição e se crie uma nova política de terras. EFE pa/fal

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