Quem ganhou e quem perdeu na Geórgia

Mesmo antes de uma solução para a crise na Ossétia do Sul, o conflito entre Rússia e Geórgia mostrou que há alguns claros vencedores e perdedores e que é preciso um novo começo nas relações entre a Rússia e as potências ocidentais. A seguir, veja quem ganhou e quem perdeu com o confronto e o que deve acontecer a partir de agora.

BBC Brasil |

Os ganhadores

Rússia - O país emergiu mais forte, mostrou que é capaz de impor sua vontade sobre a Ossétia do Sul e mandou um recado claro sobre a sua disposição de reforçar sua posição mundial.

O país aceitou um acordo de cessar-fogo depois de conquistar seu objetivo - controlar a Ossétia do Sul. O acordo basicamente determina que não seja mais usada a força e que se retorne a uma situação semelhante à que havia antes do conflito.

O ministro do Exterior russo também disse que as tropas georgianas não vão "nunca mais" participar das forças de paz para a região, algo que havia sido previsto em um acordo em 1992.

Não está claro ainda se as forças russas na região vão voltar a ter o tamanho que tinham antes do confronto, ou seja, uma unidade formada por um batalhão de soldados - algo que também foi acertado no acordo de 1992. É improvável que isso ocorra. A situação deve se assemelhar mais à situação de Chipre em 1974, quando os turcos intervieram no conflito na ilha para proteger cidadãos ligados ao país. Os turcos estão em Chipre até hoje.

O primeiro-ministro Vladimir Putin - Ele confirmou sua força. Putin deu demonstrações de força durante todo o processo, especialmente quando fez acusações de que as potências ocidentais usam dois pesos e duas medidas em relação à região e que ignoram o número de mortos e feridos provocados pela tentativa de tomada de controle realizada pela Geórgia.

Sua atitude foi muito apreciada entre os russos.

Os rebeldes da Ossétia do Sul - O movimento separatista deverá exercer um grande controle sobre a região agora que os russos tomaram o território completamente.

A França e a Alemanha - Os dois países que têm se mostrado cautelosos em relação à entrada da Geórgia na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), terão sua posição justificada. Eles acreditam que um país como a Geórgia, que ainda tem disputas envolvendo suas fronteiras, não deve ser aceito na organização.

Os perdedores

Os mortos e feridos - Obviamente, os mais afetados pelo confronto são as pessoas diretamente atingidas. Ainda não existem dados precisos, mas os números de mortos e feridos podem passar de centenas. O maior problema tem sido a falta de informação sobre o que ocorreu dentro da Ossétia do Sul. Relatos de que até 2 mil pessoas teriam sido mortas no ataque realizado pelos georgianos não puderam ser verificados de forma independente.

O presidente da Geórgia, Saakashvili - Ele tem sido apoiado pela administração Bush, mas falhou na sua tentativa de impor o controle georgiano sobre a região da Ossétia do Sul e deve pagar um preço por isso. Privadamente, alguns governos europeus têm feito críticas duras a ele por sua decisão de invadir a região, algo visto por alguns como uma atitude "inesperada e emocional".

A verdade - Este tem sido um conflito muito difícil para determinar os fatos. Os russos não conseguiram comprovar suas alegações de que as tropas georgianas teriam cometidos atrocidades e não permitiram que repórteres nem observadores internacionais verificassem as afirmações. O governo da Geórgia também fez várias alegações que não foram comprovadas, como a afirmação de que os russos teriam tomado a cidade de Gori, o que não ocorreu.

Os governos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha optaram por considerar a Rússia como o país agressor. Foi a Geórgia, porém, que realizou seus ataques com uma chuva de foguetes que, por natureza, atingem alvos de forma indiscriminada.

O Ocidente - Uma vez mais os países ocidentais foram pegos de surpresa. Em Washington e em Londres o presidente da Geórgia teria sido orientado a mostrar cautela. Se realmente Saakashvili agiu contra essa orientação, o país ignorou conselhos de seus principais aliados e a Rússia venceu um membro potencial da Otan.

O que acontece daqui para frente

Começo novo - O fato é que o Ocidente precisa da Rússia e a Rússia precisa do Ocidente. Os russos querem (ou vão querer cada vez mais) se integrar mais ao sistema econômico mundial e serem levados a sério no cenário diplomático.

O Ocidente precisa do apoio da Rússia nas negociações com o Irã e o Sudão, por exemplo. E possivelmente os países ocidentais terão que admitir que a Rússia tinha um bom argumento. Precisam explicar porque ajudaram Kosovo a se separar da Sérvia, mas questionaram o direito da Rússia de apoiar a Ossétia do Sul.

Apesar disso, vários países já estão falando em retaliar a Rússia. Entre as várias medidas possíveis estão o bloqueio de um novo acordo entra os russos e a União Européia, que envolve questões que vão de comércio até direitos humanos.

Outros pontos que vêm sendo discutidos são o reforço do compromisso de integrar a Geórgia e a Ucrânia à Otan e tentar retirar a Rússia da Organização Mundial do Comércio ou do G8.

Qualquer que seja o resultado dessas discussões, o que ficou claro com a relativamente pequena guerra da Ossétia é a atual situação de insatisfação entre os russos e as nações do Ocidente.

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